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Resenhas :: Uma Curva no Tempo

curva no tempo

 

Título: Uma Curva no Tempo

Autor: Dani Atkins

Editora: Arqueiro

Páginas: 256

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Saraiva | Submarino

 

 

Sinopse: A noite do acidente mudou tudo… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim… Ou funciona?

A noite do acidente foi uma grande sorte… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?

Não vou dizer que amei o livro. Na verdade, comprei-o há muitos meses, dei algumas chances à leitura, desisti e apenas retomei durante as férias em uma tentativa de ler todos os livros abandonados em minha estante. A história demorou a fluir, mas me forcei a ultrapassar a parte em que havia parado anteriormente – parte inicial. Não vou dizer que foi excepcionalmente emocionante, mas “Uma Curva no Tempo” teve seus pontos positivos e conseguiu me agradar um pouco ao longo de sua história.

Rachel tinha tudo para ter uma vida perfeita: era razoavelmente bela, tinha um namorado lindo e rico, ótimos amigos de longa data e um futuro promissor como jornalista. Todavia, pouco antes de ir para a faculdade, Jimmy, seu melhor amigo, morre em um acidente ao tentar salvá-la, e a lembrança deste dia nunca mais sairá de sua mente, da mesma forma que a longa cicatriz em seu rosto.

Tudo mudou depois da morte de Jimmy. Rachel terminou com Matt, nunca foi à faculdade e contentou-se com um emprego de secretária e um apartamento minúsculo em Londres. E Rachel sabe que sua vida não foi a única a piorar. Além de causar a morte de Jimmy, Rachel conseguiu destruir a vida de seu pai. O futuro não lhe parece mais promissor quando fortes dores de cabeça começam a afetá-la e o casamento de sua melhor amiga se aproxima. Talvez, enfrentar o passado possa ser tão catastrófico quanto seguir em frente daquele modo.

Após desmaiar sob o túmulo do melhor amigo, Rachel acorda em outra realidade. Nesta vida, Jimmy saiu ileso do acidente, seu pai está saudável, Rachel está noiva e trabalha em uma grande revista. Apesar de tudo isso, Rachel tentará provar que os fatos estão errados, mesmo que isso signifique trazer de volta a vida terrível que construiu e perder aqueles que mais ama.

– Então essa outra vida que você acreditava estar vivendo era um horror? É isso? Todo mundo estava doente, horrivelmente desfigurado ou morto? E todas as coisas boas que aconteceram na sua vida não existiam? Eu entendi bem?
– Em resumo, sim.
– E ainda assim você saiu por aí tentando provar a todos que precisava voltar para esse outro lugar?
– Bem, sim.
Eu não podia ver aonde ela estava querendo chegar.
– Estão todos certos. Você é louca. Ninguém nunca lhe disse que, quando se cria um mundo de fantasia, ele deve ser melhor que o mundo real… E não mil vezes pior?

O livro inicia com a primeira realidade de Rachel, a qual nos introduz aos personagens mais importantes em sua vida, como seu pai, Jimmy, Matt, a amiga Cathy e a melhor amiga Sarah. Cada um possui uma parcela de importância em ambas as realidades de Rachel. Em seguida, passa para a segunda realidade, a qual constitui a maior parte da história. Nesta realidade, comportamentos antes vistos parcialmente, uma vez que Rachel se afastou de todos, ganham intensidade, como o ciúme de seu namorado – agora noivo – e as atitudes de Cathy. Por ambas as perspectivas, Rachel consegue analisar e construir a essência de cada um de seus conhecidos de forma a determinar como quer que eles sigam em sua vida se nunca mais retornar à sua verdadeira realidade.

Não sei exatamente o que não gostei, inicialmente, no livro. Talvez seja o fato de que a personagem principal é extremamente pessimista em relação ao futuro, mesmo que a causa de seu sofrimento tenha se dado há pelo menos cinco anos. Todavia, seu comportamento é essencial à construção do enredo. A apatia da personagem explica sua recusa em acreditar em uma realidade mais feliz, sobretudo quando descobre que o melhor amigo está vivo ainda, embora tenha se afastado dela.

O que me fez continuar a ler o livro foi a reação dos personagens em relação à “amnésia” de Rachel. Ninguém tratou como se fosse normal acordar em outra vida lembrando de um passado completamente diferente. Nem Rachel, nem os demais personagens, que começaram a acreditar que ela estivesse louca. As cenas que se passam até que Rachel aceite o possível diagnóstico são bastante interessantes. Além disso, nada nessa segunda realidade fornece informações de que uma realidade distinta exista de fato, o que frustra cada vez mais a protagonista.

“Eu não me importava que todo mundo estivesse contente em aceitar a teoria da amnésia. Eu sabia que não era verdade. Minha antiga e verdadeira vida se achava em algum lugar lá fora, e quanto antes eu conseguisse sair daquele hospital e provar isso a todos, melhor.”

Sobre o romance, ele é bonitinho – odeio quando uso adjetivos no diminutivo, mas não encontro algo melhor para descrever -, mas não emocionante. A história foca tanto na agonia da personagem e na sua confusão em descobrir o que sente, para onde deve ir dados os dois rumos possíveis de sua vida e o que é real ou não, que o desenvolvimento de seu romance com Jimmy fica perdido no meio, mesmo que seja bastante importante para a finalização.

Quanto ao final, foi a parte de que realmente mais gostei. Talvez ele seja surpreendente. Infelizmente, diante da falta de empatia com a história, não resisti ao meu terrível hábito de ler as páginas finais, vindo a desconfiar de qual seria o término. Todavia, somente pude compreender de fato as palavras finais quando li as pistas que foram lançadas ao longo da história. Enquanto lia o livro, sempre me perguntava se as pessoas que o lessem sem saber das páginas finais notariam os pequenos detalhes que a autora colocava prenunciando o desfecho e se achariam surpreendente. Mesmo que não seja surpreendente, achei que não foi extremamente previsível, mas coerente. Parabenizo a autora por dar indícios tão sutis do final e escrevê-lo de forma tão perfeita. E, enfim, as últimas páginas não desvendam o mistério de forma explícita. Cabe ao leitor interpretar as passagens finais de forma a encontrar o sentido de tudo o que ocorreu com Rachel nos meses em que viveu uma segunda vida.

“Ele devia estar mesmo muito preocupado comigo, porque, diversas vezes, durante a noite, no lusco-fusco entre o sono e a vigília, senti o característico aroma de sua loção pós-barba e soube que ele tinha entrado silenciosamente em meu quarto para ver como eu estava. Ele não disse uma só palavra, e nunca revelei que sabia que ele estava lá.”

Acredito que o livro foi mediano. Não vivenciei grandes emoções, nem fui marcada pela história. Poderia ter sido uma leitura mais agradável, embora não tenha sido ruim. E, apesar de tudo isso, eu recomendo a leitura em função do final maravilhoso, que faz o livro valer a pena. Acho que as poucas páginas excepcionais superam as demais.

Dani Atkins nasceu dani atkins e foi criada em Cockfosters, Londres. Somente quando seus dois filhos estavam crescidos e saíram de casa, ela decidiu se dedicar ao sonho de ser escritora. “Uma Curva no Tempo” é seu primeiro romance.
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