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Resenha Dupla: :: Espada de Vidro e Coroa Cruel

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Título: Espada de Vidro

Autor: Victoria Aveyard

Editora: Seguinte

Páginas: 496

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Saraiva

Sinopse: O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou numa arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar.
Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de monstro que ela está tentando deter.

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Título: Coroa Cruel

Autor: Victoria Aveyard

Editora: Seguinte

Páginas: 232

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Saraiva

Sinopse: Duas mulheres — uma vermelha e uma prateada — contam sua história e revelam seus segredos. Em Canção da rainha, você terá acesso ao diário da nobre prateada Coriane Jacos, que se torna a primeira esposa do rei Tiberias VI e dá à luz o príncipe herdeiro, Cal — tudo isso enquanto luta para sobreviver em meio às intrigas da corte. Já em Cicatrizes de aço, você terá uma visão de dentro da Guarda Escarlate a partir da perspectiva de Diana Farley, uma das líderes da rebelião vermelha, que tenta expandir o movimento para Norta — e acaba encontrando Mare Barrow pelo caminho.
Esta edição traz, ainda, um mapa de Norta e um trecho exclusivo de Espada de vidro, o aguardado segundo volume da série A Rainha Vermelha.

 A série “A Rainha Vermelha” é uma série que gera controvérsias. Uns amam, outros odeiam, outros apenas leem para terminar, sem demonstrar alguma emoção maior. Quem leu a resenha de “A Rainha Vermelha” sabe que estou no grupo dos que amam a história. Gosto desse enredo mais sombrio que Aveyard construiu, unindo elementos de “Jogos Vorazes”, a “Seleção” e “X-Men”, embora nas continuações tenha se distanciado mais das duas primeiras histórias ao criar uma guerra entre pessoas com superpoderes sem grandes partes de romance. E, no que concerne às continuações, não me decepcionei. Pelo contrário, gostei mais ainda.

Decidi fazer uma resenha dupla com o segundo livro da série e com o livro de contos lançado entre o primeiro e o segundo livro. Como em todas as resenhas de continuações, sugiro que, se você não leu o primeiro livro, pule esta resenha e parta para a resenha do primeiro livro (link aqui). Não me responsabilizo por alguns spoilers quanto ao primeiro livro.

Em “Espada de Vidro”, Mare e Cal conseguiram fugir das garras do cruel príncipe, agora rei, Maven, juntando-se à Guarde Escarlate, mesmo com toda a desconfiança em relação às intenções deles. Com o apoio de alguns vermelhos rebeldes, eles embarcam numa jornada para reunir outros sanguenovos – vermelhos que possuem poderes, como Mare – que poderão ajudar na derrota do rei. Todavia, esta jornada poderá ser mais solitária para Mare do que ela esperava. Mesmo tendo seu irmão, Kilorn e Cal ao seu lado, existe um lado sombrio nela que ninguém pode apagar. No fim, pode ser que ela se torne igual àqueles que ela tanto odeia: Maven e Elara.

“Mesmo perto de Cal, um forno ambulante, sinto o toque assustador do gelo na carne. Não sei de onde vem, só sei que chega em momentos de silêncio, quando estou parada, pensando em tudo o que fiz e no que fizeram comigo. O gelo se concentra onde deveria ficar o meu coração, ameaçando me partir ao meio. Meus braços se recolhem no peito, tentando parar a dor. Funciona um pouco, e sinto um calorzinho voltar para mim. Mas, onde o gelo derrete, fica apenas o vazio. Um abismo. E não sei como tapá-lo.”

“-Ninguém nasce mau, assim como ninguém nasce sozinho. As pessoas se tornam más e solitárias, por escolha e circunstância. Esta última você não pode controlar, mas a primeira… Mare, temo muito por você. Fizeram muitas coisas com você, coisas que ninguém deveria ter de passar. Você viu coisas horríveis, fez coisas horríveis, e elas vão te transformar. Temo muito pelo que você pode acabar se tornando, caso faça uma escolha errada.”

Simplesmente amei “Espada de Vidro”, porque é muito mais sombrio que “A Rainha Vermelha”. Envolve mais conflitos entre vermelhos e prateados e também mais conflitos internos. A tortura sofrida pelos personagens é difícil de ser superada. E sentimentos conflitantes começam a aparecer melhor. Mare, por exemplo, revela que gostava mais de Maven do que transpareceu no primeiro livro. Está cada vez mais arrogante e egocêntrica, mas também demonstra mais de suas emoções, não conseguindo superar a traição de Maven. Adoro que ela seja uma protagonista que não é idolatrada por todos e que não possui todas as virtudes de uma protagonista. Só acho que poderia ser um pouco mais inteligente. E Cal, o príncipe que eu amava no primeiro livro, também mostrou mais de suas fraquezas nesta continuação, cada vez mais acovardado em lutar contra outros prateados, preso à hipocrisia da qual veio. Isto impede que o romance entre os dois seja tão ardente. Após superarem os ressentimentos do primeiro livro, o romance até avança um pouco, mas não recebe muito foco. Maven existe entre eles, e o romance mais parece uma comodidade do que um amor verdadeiro.

Gostei de ver mais dos outros personagens também. Kilorn, que antes era um amigo irritante e tolo, torna-se uma pessoa compreensível, na medida em que seus ressentimentos – por ser ignorado por Mare só por não ter poderes – são mais explorados e na medida em que ganha mais destaque na luta contra os prateados de Maven. Um personagem que aparece no fim do primeiro livro também tem sua relação com Mare explorada no segundo, e sua morte é uma tristeza. Além deles, conhecemos mais da Capitã Fairley e dos outros sanguenovos recrutados.

O que mais gostei, no entanto, foi da crueldade de Maven, mais revelada na continuação, uma vez que ele não mais precisa disfarçar suas intenções. Seus encontros com Mare são raros, mas são impactantes. O final foi previsível. Todavia, não deixou de ser bom. O epílogo foi uma parte maravilhosa. Cruel, mas instigante, deixando-me louca pela continuação.

O livro de contos, “Coroa Cruel”, inclui um conto sobre a mãe de Cal, a rainha Coriane, intitulado “Canção da Rainha”. Fiquei sem palavras com este conto, de tão bom que o achei. Gosto que Aveyard sempre coloca a compaixão dos prateados para com os vermelhos de uma forma a demonstrar que eles não compreendem a verdadeira crueldade dos seus atos. E isto torna-se bastante evidente neste conto. Mas o melhor foi ver como a rainha foi enlouquecendo aos poucos por influência de Elara, o que foi maior que todo o seu amor por Julian, por Cal e pelo rei. Foi tudo tão sutil, que não sabíamos se seus pensamentos eram de fato provenientes dos poderes de Elara ou de uma depressão apenas dela. No final, porém, tudo é esclarecido. (O trecho a seguir não é um indicativo do final)

“Elara não disse nada. Porque não há o que dizer, Coriane entendeu. Respirou fundo e desviou o olhar, lutando contra a vontade de chorar. Os medos são meus. Sempre foram. Sempre vão ser. Estava errada antes de chegar à corte, e continuo errada tanta tempo depois.”

O segundo conto, “Cicatrizes de Aço”, foca na Capitã Fairley  e nas suas ações dentro da Guarda Escarlate durante o período que antecede a descoberta dos poderes de Mare. Admito que preferi o primeiro conto, pois “Cicatrizes de Aço” detalha mais as guerras e estratégias da Guarda. Todavia, é interessante justamente para conhecer um lado da história que não é contado nos livros principais e também para conhecer como Shade, irmão de Mare, conheceu Fairley e se envolveu com a causa.

Victoria Aveyard já confirmou que a saga, antes uma trilogia, será composta por 4 livros. O próximo, ainda não intitulado, está previsto para 2017, e o quarto está previsto para 2018. Os direitos da saga foram vendidos para a Universal, e Elizabeth Banks chegou a ser cogitada para a direção. Porém, ainda não há maiores informações sobre a possível adaptação.

 P.S: Não consigo ler livro sem uma trilha sonora, e adorei ler estes ao som da música “Hurts Like Hell”, da Fleurie. Acho que combinou com o clima sombrio, sobretudo, da parte final do livro e do conto “Canção da Rainha”.


Victoria Aveyard cresceu numa cidade pequena Autor em Massachusetts e frequentou a Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles. Ela se formou como roteirista e tenta combinar seu amor por história, explosões e heroínas fortes na sua escrita.
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