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Filmes :: O Quarto de Jack

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Título: O Quarto de Jack (Room)

Diretor: Lenny Abrahamson

Ano de Lançamento: 2015

Gênero: Drama

Elenco: Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen, Sean Bridgers, Tom McCamus e William H. Macy

 

Sinopse: O longa conta a história de Jack (Jacob Tremblay), um menino de cinco anos que é criado por sua mãe, Ma (Brie Larson). Como toda boa mãe, Ma se dedica a manter Jack feliz e seguro e a criar uma relação de confiança com ele através de brincadeiras e histórias antes de dormir. Contudo, a vida dos dois não é nada normal: eles estão presos em um espaço de 10m². Enquanto a curiosidade de Jack sobre a situação em que vivem aumenta, a resiliência de Ma alcança um ponto de ruptura. Os dois, então, começam a traçar um plano de fuga. Ao mesmo tempo em que conta uma história de cativeiro e liberdade, O Quarto de Jack destaca o triunfante poder do amor familiar mesmo na pior das circunstâncias

Quando ouvi pela primeira vez sobre o filme “O Quarto de Jack”, recusei-me a vê-lo por acreditar que seria tenso demais para o meu gosto. A temática do cárcere privado choca, pois o espectador acaba se colocando no lugar da personagem, vivenciando, ao menos em parte, a agonia daquele que é retratado na obra. Todavia, quando vi o trailer, descobri que a abordagem do filme parecia mais amena, focando-se na visão de mundo do menino de cinco anos, Jack, que nunca conheceu outro lugar senão o quarto. Então, pude concordar com todas as boas críticas e verificar que é um filme maravilhoso e emocionante, com um bom roteiro (a roteirista é Emma Donoghue, autora do livro “Quarto”, no qual o filme foi baseado) e atuações impecáveis.

Jack e sua mãe, Joy, vivem num pequeno barraco sem janelas, apenas com uma claraboia e uma porta, a qual somente o Velho Nick pode abrir. Sua mãe faz de tudo para que ele seja feliz, fazendo bolos em seu aniversário e pedindo presentes de domingo ao Velho Nick. E Jack é feliz, mesmo quando o Velho Nick aparece e ele é obrigado a se esconder no armário.

Para ele, tudo o que existe dentro do barraco é real; o que não está ali é apenas imaginação. Assim, Jack é criado como se o mundo exterior não passasse de uma fantasia retratada na televisão. Até que ele completa cinco anos. Agora que já está grande, sua mãe lhe diz que é hora de saber a verdade. Ela lhe explica que por trás daquelas paredes existem infinitas possibilidades e que ele é a única forma de eles conseguirem sair. Mesmo tendo dificuldade em acreditar que tudo o que aprendeu anteriormente era mentira, Jack começa a aceitar que talvez cachorros, ratos, árvores e outros seres existam e que ele e sua mãe precisam sair do quarto para descobrir esse novo mundo. Em um plano arriscado, Jack tem que se aventurar no que antes achava que era o espaço e buscar ajuda antes que seja tarde demais.

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Em primeiro lugar, fiquei impressionada com as atuações, sobretudo de Brie Larson e de Jacob Tremblay. Jacob tem apenas 9 anos e conseguiu construir o personagem de forma magnífica. Você sentia a inocência da criança, a raiva, a dificuldade de adaptação, e tudo era muito natural. Brie Larson, por sua vez, conseguiu captar o amor de Joy, o qual se misturava com medo pelo que o Velho Nick poderia fazer com Jack, desespero, raiva, depressão e, ainda assim, capacidade de aproveitar os pequenos detalhes para tentar ser feliz.

O filme emociona do início ao fim. No início vemos a tentativa de Joy em recriar um mundo confortável e feliz para Jack, que desconhece toda a crueldade que rodeia sua vida. Trancados no pequeno barraco, Joy não deixa de dar amor e alegria ao filho, mesmo diante das circunstâncias que a levaram a tê-lo. Então, chega a parte da fuga. Vem a agonia de querer que o pequeno Jack consiga fugir e salvar sua mãe. Você sabe que eles conseguem, porque o trailer mostra isso. E não importa saber, porque o filme vai além da fuga. O filme fala sobre a prisão, fala sobre a liberdade e fala sobre como ambas se misturam na vida dos dois. Isto porque sair do quarto não era o fim. Para Jack, ele acaba de entrar em um mundo selvagem, com pessoas que nunca viu e as quais sempre acreditou nunca existirem – para ele, apenas ele e sua mãe eram reais e, mesmo Nick parecia ser fantasia, já que conseguia desaparecer pela porta. Ele não sabe como se comportar nesse mundo. E, mesmo assim, parece que sua adaptação consegue ser melhor que a de Joy, que, apesar de conhecer esse mundo ao qual acaba de voltar, perdeu anos importantes de sua vida e lidou com escolhas que não poderia mudar. A situação de ambos em nada é ajudada pelo comportamento da família – alguns parentes não aceitam Jack, em virtude das circunstâncias de seu nascimento – e pela abordagem da mídia.

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Brie Larson, merecidamente, ganhou o Gonden Globe 2016 e o SAG Award 2016, bem como está sendo indicada ao Oscar 2016 na categoria de melhor atriz principal. Jacob Tremblay foi indicado ao SAG Award 2016 na categoria ator coadjuvante. No Golden Globes 2016, o filme concorreu aos prêmios de melhor filme de drama e de melhor roteiro. Para o Oscar 2016, o filme foi indicado nas categorias de melhor filme do ano, melhor direção e melhor roteiro adaptado.

Ainda não assisti aos demais concorrentes (pelo menos a “Brooklyn”, “Carol” e “O Regresso” eu pretendo assistir), mas acho que os prêmios serão merecidos caso obtidos. E quanto ao livro, pretendo lê-lo tão logo consiga.

 

 

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