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Resenha :: Bom Dia, Sr. Mandela

Título: Bom Dia, Sr. Mandela
Autor: Zelda la Grange
Editora: Novo Conceito
Páginas:432
Compre: Saraiva

Sinopse: Bom Dia, Sr. Mandela conta a extraordinária história de uma jovem que teve suas crenças, preconceitos e tudo em que sempre acreditou transformados pelo maior homem de seu tempo. A incrível trajetória de uma datilógrafa que, escolhida para se tornar a mais leal e devotada assessora de Nelson Mandela, passou a maior parte de sua vida trabalhando ao lado do homem que ela passaria a chamar de Khulu , ou avô.

 

A primeiro surpresa que tive ao ler Bom dia, Sr. Mandela foi saber que esse não séria um livro sobre a estória do presidente da África do Sul (1994-1999) Nelson Mandela. Mas a estória de Zelda la Grance, assessora pessoal de um dos humanitários mais conhecidos no mundo. Minha segunda surpresa foi descobrir que Zelda la Grace contaria com extrema sinceridade sobre o seu passado, dentro do que é conhecido pela história da África do Sul como apartheid, que foi um regime de segregação racial, entre os anos de 1948 a 1994, no qual o direto dos negros foram cerceados pelo governo branco sul-africano. Além disso Zelda la Grace faz uma narração de sua grande mudança de pensamento após conviver durante vários anos ao lado de Nelson Mandela.

Zelda la Grace nasceu em 1970 e sua descrição da infância é bastante agradável, afinal ela mesmo admite que como uma garota branca foi privilégiada pelo governo do apartheid. Sua família a ensinou a ter medo e se distanciar dos negros, a vê-los como terroristas e criminosos. Portanto, Zelda la Grace descreve que desde muito nova já se tornava racista.
Quando se é criança é fácil acreditar que o ambiente é seguro. Talvez se eu tivesse sido oprimida, se não tivesse acesso a uma escola decente, uma casa adequada, eletricidade e água, pudesse ter feito perguntas diferentes, e o meu cérebro teria se desenvolvido e se tornado mais inquisitivo sobre a injustiça quando eu era mais jovem. Seja como for, isso não aconteceu. (…) Você vive essa vida sem compreender que há vida mais além: problemas, política, eventos mundiais e tendências que influenciam seu mundo. Quando se vive confortavelmente, não se faz perguntas, e não havia razão pela qual eu questionasse o que acontecia além das paredes da minha casa. Ninguém nasce racista. Você se torna racista pela influência ao seu redor. E por volta dos treze anos de idade eu me tornei racista. (página 24)

Esse trecho me tocou pessoalmente, porque eu me identifiquei com as palavras de Zelda. Dificilmente somos capazes de perceber, mas nós vivemos em uma sociedade racista e eu cresci alheia a esse problema. Eu cresci confortavelmente como uma garota branca, com uma família estável que cuidou de todas as minhas necessidades básicas, logo isso me impediu de me tornar um ser humano crítico e eu desconhecia a realidade de outras pessoas. Eu tive a sorte de ter professores e amigos que me ensinaram a olhar para fora da caixa, assim como Zelda la Grace teve a sorte de conhecer Nelson Mandela.

O primeiro sentimento de Zelda la Grace após saber que Nelson Mandela havia sido eleito presidente da África do Sul em 1994, foi como a maioria da população branca do país; medo da vingança da população negra pelos anos de apartheid, o que não aconteceu. O presidente Mandela teve uma politica de paz e união do povo sul-africano, mantendo os empregos dos brancos e dando oportunidade de emprego aos negros; algo que Zelda pôde observar com os próprios olhos quando foi trabalhar para a assessoria de Nelson Mandela naquele ano.

O primeiro encontro dos dois foi algo que me causou muita reflexão e me trouxe um ensinamento de Nelson Mandela que pretendo não esquecer. Zelda descreve que por muito tempo evitou ter contato com o presidente Mandela, sempre que o via no escritório se escondia; tinha medo que ele a tratasse mal e a demitisse pelo mal que o povo dela fez a ele. Portanto, o primeiro encontro dos dois foi um esbarram em um corredor, que fez com o que o presidente Mandela estendesse sua mão à ela e a gentileza dele fez com que ela chorasse. Zelda la Grace descreve que Nelson Mandela falou com ela em sua língua natal; e isso causou tanto espanto nela, quanto emoção.

Eu me senti culpada por essa pessoa tão gentil, com olhos bondosos e generosidade de espírito, falar comigo em minha própria língua depois que o “meu povo” o havia jogado na prisão por tantos anos. (página 44)

O que Nelson Mandela fez daquele dia foi explicado a Zelda, por ele mesmo, tempo depois: “Quando você fala com um homem, você fala com a sua cabeça, mas, quando você fala com ele em sua língua, você fala a seu coração”; esse respeito que Nelson Mandela tinha pelos outros é algo que Zelda la Grace irá sempre destacar nesse livro

zelda+la+grange

Nós já conhecemos Nelson Mandela, afinal a sua figura pública e politica está marcada nos livros de história de todo o mundo. O que Zelda la Grace nos oferece em Bom dia, Sr. Mandela é a oportunidade de conhecer Madiba pelos olhos de alguém que realmente o amou e se dedicou a trabalhar com ele na união da África do Sul. A descrição da autora é apaixonante, quase romantizada demais, porém ao mesmo tempo eu não consegui larga a leitura.

É uma biografia íntima, apaixonada e reveladora de uma mulher que cresceu beneficiada pelo apartheid, mas que viu suas opiniões mudadas e sua vida transformada por Nelson Mandela. Está recomendo a leitura! 😀

ana

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