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Resenhas :: Paralela

paralela

Título: Paralela

Autor: Lauren Miller

Editora: Pavana

Páginas: 327

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Saraiva | Submarino

Sinopse: Abby Barnes tem um plano. Ela sabe o curso que vai fazer, a faculdade em que vai estudar e até o lugar onde vai trabalhar. Mas pequenas decisões podem mudar uma vida inteira, e, na véspera de seu aniversário, Abby está questionando suas escolhas. No dia seguinte, ela acorda num lugar completamente diferente, um ano mais velha, sem saber como tudo mudou da noite para o dia. A resposta é mais inesperada do que poderia imaginar: uma colisão de universos paralelos que a faz viver uma versão alternativa de si mesma. Com a ajuda da melhor amiga, Caitlin, e dividida entre dois caras que poderiam muito bem ser o amor de sua vida, Abby se depara com o desafio de redescobrir a si mesma enquanto lida com a confusão em que sua vida se transformou.

Vagando pelas livrarias, deparei-me com esta capa. Sei que não devemos julgar um livro por sua capa, mas esta pode ser uma arma na conquista de um novo leitor. Eu não conhecia a autora, tampouco estava familiarizada com a editora. O trabalho da capa, porém, chamou a minha atenção por sua diferença. Olhando a frente do livro, vemos a mesma imagem duplicada. De um lado, aquela que detém o passado; do outro, aquela que detém o futuro. E na contracapa, duas sinopses diferentes apresentando-nos ao enredo. Não muito tempo atrás, eu lera “Encruzilhada” (já resenhado aqui), da autora Kasie West, do qual gostei bastante, e achei que as histórias seriam parecidas. Por esse motivo e pela criatividade na edição, senti-me motivada a lê-lo.

Embora tenha achado que seria parecido com “Encruzilhada”, foi apenas semelhante no modo de retratar a história por meio da intercalação entre duas versões de uma vida. “Paralela”, diferentemente do outro livro, não aborda superpoderes ou duas versões simultâneas do futuro, mas a colisão de duas linhas temporais, o que modifica o passado de uma das versões.

Abby Barnes viu sua vida seguir por um caminho oposto ao que tinha planejado quando o destino obrigou-a a escolher uma alternativa a uma matéria de sua grade de horários que fora cancelada. Tendo escolhido teatro em detrimento de astronomia, Abby foi escalada para participar de um famoso filme de ação e, ao invés de ir para a faculdade de jornalismo, acabou virando uma atriz em Los Angeles antes mesmo de completar o ensino médio. Mas o que teria acontecido se a escolha tivesse sido outra?

Abby Barnes, em 2008, é uma menina do último ano do ensino médio, cuja grade de horários perfeita foi abalada pelo cancelamento de uma aula. Um terremoto fez com que acordasse tarde e perdesse a chance de escolher teatro ao invés de astronomia, muito mais difícil. Pelo menos, nessa matéria, ela tem Josh, um tímido garoto com quem parece ter uma forte ligação.

Abby Barnes, antes uma atriz promissora, acorda, em 2009, em um quarto de faculdade que parece não lhe pertencer. A última coisa de que se recorda é de ir a uma festa no dia anterior, véspera de seu aniversário, com várias estrelas de cinema, e de haver um terremoto quando chegava ao seu hotel. De alguma forma, esse terremoto alterou sua vida. Caitlin, sua inteligente amiga, tenta ajudá-la, buscando teorias acerca do que pode ter ocorrido. Duas linhas temporais se chocaram, uma em 2008 e outra em 2009, e alguma anomalia fez com que Abby fosse a única a não absorver as memórias de seu novo passado (que continuava a correr paralelamente ao seu presente, modificando continuamente a vida da Abby de 2009). Assim, a Abby de 2009 lembra de seu passado em Los Angeles, lembra de cada ontem que viveu, mas não tem controle algum sobre o dia do amanhã. Em um dia ela pode ser amiga de Caitlin, no outro pode descobrir que as duas brigaram em 2008. Em um dia pode amar o charmoso Michael, e no outro pode descobrir que amou uma pessoa que nunca conheceu. Ela só pode saber o que viveu, quando a Abby de 2008 finalmente viver, vivendo em um eterno efeito borboleta.

Além da história envolvendo linhas de tempo e efeito borboleta (assuntos dos quais gosto), algo que me agradou na história foi a construção dos personagens. A autora conseguiu escrever personagens coerentes, com passados interessantes, e capazes de surpreender. Ela consegue sair do clichê, aproximando-se de personagens mais reais e circulares que muitos livros com personagens adolescentes. Gostaria que, talvez, ela tivesse desenvolvido mais a história de alguns deles que não a protagonista, como Michael – que não é sempre perfeito e charmoso, sobretudo quando está com a família  – e Caitlin – que sempre atrai homens compromissados, o que foi bastante destacado, mas não explorado. Não que o desenvolvimento da protagonista tenha sido entediante – pelo contrário, Abby é uma boa protagonista, buscando uma forma de solucionar seu problema, sem ser tola -, mas fiquei curiosa com as histórias desses personagens também.

Outro ponto interessante do livro – e importante para a compreensão do final – são as comunicações quase imperceptíveis existentes entre os dois universos. Eu destaco isso, pois creio que seja essencial à compreensão da reviravolta do final (uma das críticas sobre que falarei no fim da resenha). Ao longo da história, a Abby de 2009 sabe da existência da Abby de 2008, pois este universo tornou-se o novo passado. A Abby de 2008, porém, não tem ideia de que exista uma paralela sua de outro universo vivendo o seu futuro. Ao longo de sua história, contudo, possui impressões, intuições, que somente podem ser compreendidas quando sabemos o que a Abby de 2009 já viveu e sabe que aconteceu. Isto demonstra que existe uma espécie de transmissão na via inversa, do futuro para o passado, e essa transmissão (vislumbres do futuro) é o que pode explicar a conclusão a que a protagonista chega quando, em 2009, precisa encarar seu destino e escolher com quem deve ficar, Josh, o amor de um passado que conhece apenas de memórias não vividas, ou Michael, o amor do seu presente com quem tentou construir um passado na medida de suas possibilidades.

A princípio, pode parecer um tanto complicado compreender a história, mas não é. A autora consegue explicar, ainda que não aprofundadamente, a sua linha de raciocínio. Minha única crítica é que o final pode apresentar lacunas, pontos que podem ser explicados por suposições, mas que não são expressamente explicados na história ou o são muito rápida e superficialmente. Ainda que a autora tenha tentado explicar todos os detalhes de seu raciocínio parece faltar algo e parece que uma parte desta explicação é jogada rapidamente na última parte do livro, para levá-lo a um final que não diria ser o meu preferido. É um final razoavelmente bom, mas muito aberto e aleatório (não houve justificativa para o que ocorreu). Parece um pouco com aqueles finais em que tudo não passa de um sonho – ou ao menos transmite a mesma sensação -, embora não seja assim (não é um spoiler).

Enfim, é um livro bastante interessante, o qual recomendo. A leitura é fácil e instigante, pois todos se perguntam como a história poderá terminar. Seu único pecado é realmente o final, que poderia ter sido melhor desenvolvido e que é o único motivo pelo qual não posso dizer que amei a história.


Lauren Miller cresceu paralela02 em Atlanta e se formou em direito, curso no qual conheceu o marido, com quem vive em Los Angeles junto com a filha do casal. Amante das letras e da contação de histórias, foi descoberta por sua agente quando escrevia para o blog Embracing the Detour. Paralela é seu primeiro romance

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