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Resenhas :: Mil Pedaços de Você

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Título: Mil Pedaços de Você

Autor: Claudia Gray

Editora: Agir Now

Páginas: 288

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Saraiva

Sinopse: Marguerite Caine cresceu cercada por teorias científicas revolucionárias graças aos pais, dois físicos brilhantes. Mas nada chega aos pés da mais recente invenção de sua mãe — um aparelho chamado Firebird, que permite que as pessoas alcancem dimensões paralelas.
Quando o pai de Marguerite é assassinado, todas as evidências apontam para a mesma pessoa: Paul, o brilhante e enigmático pupilo dos professores. Antes de ser preso, ele escapa para outra realidade, fechando o ciclo do que parece ser o crime perfeito. Paul, no entanto, não considerou um fator fundamental: Marguerite. A filha do renomado cientista Henry Caine não sabe se é capaz de matar, mas, para vingar a morte de seu pai, está disposta a descobrir.
Com a ajuda de outro estudante de física, a garota persegue o suspeito por várias dimensões. Em cada novo mundo, Marguerite encontra outra versão de Paul e, a cada novo encontro, suas certezas sobre a culpa dele diminuem. Será que as mesmas dúvidas entre eles estão destinadas a surgirem, de novo e de novo, em todas as vidas dos dois?
Em meio a tantas existências drasticamente diferentes — uma grã-duquesa na Rússia czarista, uma órfã baladeira numa Londres futurista, uma refugiada em uma estação no meio do oceano —, Marguerite se questiona: entre todas as infinitas possibilidades do universo, o amor pode ser aquilo que perdura?

Inicialmente, preciso ressaltar a beleza dessa capa. Com certeza é uma das capas mais belas que já vi, sem deixar de ser completamente pertinente à história (porque já vi capas belíssimas que quase nada tinham a ver com o enredo). Impressionada com a maravilhosa capa, decidi ler a contracapa – que me deixou um pouco insegura, pois não dava a ideia de ter tanto romance, o que eu queria no momento – e depois a sinopse. Mesmo dividida, resolvi apostar no livro, o qual se mostrou uma ótima surpresa – uma ficção científica bem escrita, com toques de romance bastante agradável.

A história se inicia com a primeira viagem interdimensional da protagonista a uma Londres bastante desenvolvida tecnologicamente. Os pais de Marguerite, grandes cientistas, possuem dois assistentes que são quase membros da família, Theo e Paul, e todos acham que Paul foi o responsável pela morte do pai dela, bem como pela sabotagem no projeto Firebird, cujo objeto era um aparelho capaz de realizar viagens entre as diferentes dimensões, cada qual formada pelas diferentes possibilidades da história – desde a bifurcação ocorrida pela escolha de uma blusa azul ou laranja até a bifurcação da modificação de ganhadores de uma guerra. Theo, porém, apresenta a Marguerite uma oportunidade: ele possui dois protótipos do Firebird capazes de realizar viagens também e, assim, eles poderiam perseguir e se vingar de Paul, que estaria fugindo, em outras dimensões, do crime que cometeu

Nas diversas viagens que faz, Marguerite começa a duvidar do verdadeiro envolvimento de Paul e a se questionar sobre a existência de um destino e sobre a semelhança entre suas versões, uma vez que Paul parece sempre estar presente em sua vida. Se há repetições nas diversas versões de sua vida, não haveria uma parte dela em cada uma de suas versões? Será que o Paul da Rússia czarista com quem a grã-duquesa Marguerite tem uma envolvimento poderia ser o mesmo Paul que ela pensava ter matado seu pai?

A partir da terceira viagem, realizada a uma dimensão bastante similar àquela da qual Marguerite partiu, o leitor é encaminhado ao início do desfecho da história. É nessa parte que pontos começam a ser conectados e informações reveladas, sobretudo quanto ao envolvimento de Paul e Theo e aos interesses da sociedade denominada “Tríplice”, que financia o projeto Firebird. Na última viagem, enfim, o mistério é resolvido. Todos os fatos, cujas premissas foram lançadas anteriormente (nada surge miraculosamente na última parte apenas para explicar a história), são conectados e resolvidos, fechando bem o livro.

Eu amei a história. Acho que a autora foi bastante inteligente em sua escrita, conectando todas as informações e deixando pouquíssimas lacunas  a serem explicadas nos próximo livros da série, de modo que sejam mais conexões com os próximos livros do que propriamente lacunas. Como eu disse anteriormente, nenhuma informação é fornecida apenas na última parte da história – exceto aquelas que, obviamente, não teriam como ser fornecidas ou identificadas pelos personagens anteriormente. Então, tudo de que precisávamos para compreender a história fora revelado nos capítulos anteriores. Algumas coisas são previsíveis, claro, mas gostei até mesmo do modo com que a autora lidou com essa previsibilidade, dando a ela algum elemento que pudesse diferenciá-la.

Ainda quanto à escrita, acho que a autora soube desenvolver bem todos os personagens, mas principalmente a protagonista. Por favor, precisamos de mais protagonistas inteligentes! Marguerite sabe em quem deve confiar ou não e não deixa que os detalhes passem à sua frente de forma despercebida. Diferentemente de outras protagonistas, ela consegue resolver os problemas tão logo as peças do quebra-cabeça são dadas a ela. Não é aquela coisa: eu tenho A e eu tenho B, e eu só consigo conectar os dois quando o vilão me ataca e, adivinhem, eu já não precisava conectar, porque alguém ou ele conectou para mim.

Por fim, gosto do romance principal. Não diria que é o foco total da história, mas divide o foco 50% com a problemática das viagens a dimensões diversas, da morte do pai de Marguerite e dos motivos que levaram a este fato. Há apenas uma parte do livro que foca quase inteiramente no desenvolvimento do romance, mas que se destina também a construir as principais reflexões de Marguerite. É um romance bem desenvolvido, com dúvidas e dificuldades coerentes. E, acima de tudo, é um romance entre personagens que não se apagam ou modificam completamente com ele.

“- Você não é a minha Marguerite. E, ao mesmo tempo… é. O essencial que vocês duas compartilham, a alma, é isso que eu amo. […] Eu amaria você em qualquer corpo, em qualquer mundo, com qualquer passado. Nunca duvide disse”

Fiquei bastante contente em apostar nesta história e não vejo a hora de ler suas continuações. A série Firebird será uma trilogia, e, no início do mês, foi lançado o segundo livro, intitulado “Ten Thousand Skies Above You” (“Dez Mil Céus Acima de Você”, em tradução livre). Não achei previsão de lançamento no Brasil (até porque o primeiro livro foi lançado há bem pouco tempo).

Acredito que tenha sido um dos melhores livros que li este ano e espero que gostem tanto quanto eu.


Claudia Gray é o pseudônimo da BetterColorCapGlasses-200x250 escritora de Nova Orleans Amy Vincent, autora da série best-seller no The New York Times, Evernight (publicada no Brasil sob o título Noite Eterna). Ela já trabalhou como advogada, jornalista, DJ e garçonete.
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Um pensamento sobre “Resenhas :: Mil Pedaços de Você

  1. Eu já estava interessada em ler esse livro somente pela capa. Agora que sei que foi um dos livros que você mais gostou esse ano, tenho certeza de que preciso ler esse livro. Mesmo porque a temática é bem interessante. Essa mistura de romance e ficção científica deve ter ficado sensacional. Lembra um pouco a série Outlander da Diana Gabaldon, só que lá não tem esse mistério a ser desvendado. Com certeza uma leitura para o próximo ano.

    bjs.

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