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Top :: 7 Livros Para o Dia Das Crianças

Acho que o título do post por si só já é explicativo. Daqui a 02 dias comemoramos o dia das crianças, e sempre vejo muitas pessoas perguntando sobre opções de livros a serem dados. Conforme avançamos na idade, o leque de livros adequados aumentam, pois a variedade de assuntos “permitidos” aumentam. Todavia, quando o destinatário do presente é uma criança, sempre ficam as perguntas “é infantil demais?” ou “é adulto demais”. Pensando nisso, separei alguns livros que marcaram a minha infância (não comemoro este dia há alguns bons anos, mas posso dar dicas) e/ou que considero boas opções de presente (se não os ganhei, adoraria ter ganhado), indicando as idades com que os li ou que recomendo para a leitura.

1 – Peter Pan – J. M. Barrie

peterpanDia super recente? Não. Alguns dirão que é apenas mais um conto de fadas, mas Peter Pan é mais do que isso. Peter Pan significa encontrar uma forma de nunca se perder, de nunca deixar de ser aquela pessoa que você é, de amadurecer sem fugir da vida e sem se tornar um estranho. E eu acho que ele traz ensinamentos interessantes (como vários contos de fadas, ainda que também tragam em si preconceitos).

Idade com que li: 07 anos.

Crianças possuem contato desde cedo com os contos de fadas, seja através de livros com mais ilustrações que textos ou filmes da Disney. Todavia, acho importante que se dê uma chance aos livros que narram estes contos de forma mais elaborada (fugindo das edições com duas frases por página). Peter Pan não conta apenas a história do menino que não queria crescer, mas do menino que tinha medo de não pode viver tão intensamente e de ter que se submeter às regras morais da sociedade, mas também do menino que tinha medo de mudar, de ter que enfrentar a vida.

Na verdade, eu li a versão do Monteiro Lobato para Peter Pan quando tinha 07 anos. Divergia um pouco, pois a história era contada pela Dona Benta, misturando o enredo do J. M Barrie com as aventuras do Sítio do Pica-Pau Amarelo – o que foi bastante divertido, principalmente em função do que a personagem Emília aprontava. Eu recomendo bastante a versão do Monteiro Lobato, embora não seja a maior fã do autor, principalmente após ler “Presidente Negro”, mas coloco aqui a indicação da obra original, mais conhecida.

2 – Ei! Tem Alguém Aí? – Jostein Gaarder.

images.livrariasaraiva.com.brOs mais crescidos olharão este livro e pensarão: É do mesmo autor de “O Mundo de Sofia”. Mas a criança que eu fui nem imaginava que se tratava do mesmo autor – ou mesmo estava preparada para compreender adequadamente “O Mundo de Sofia”. Eu apenas fiquei encantada com a magia desta história.

Idade com que li / para a qual recomendo: 7/8 anos.

“Ei! Tem alguém aí?” conta a história de Mika, um menino que recebe a visita de Joakim, confundindo-o com um alienígena. Juntos vivem diversas aventuras por 24h. O livro se assemelha bastante a “O Pequeno Príncipe”, mas, por tê-lo lido antes e por ter sido um dos que mais marcou o início da minha vida como leitora, acredito que tenha sido mais especial. É um livro inocente e, ainda assim mágico. Mika precisa passar por isso para compreender o que está acontecendo com sua família e aceitar as mudanças. E, embora o final seja um tanto previsível, pois várias dicas são reveladas ao longo da narrativa, é um final bonito. É aquele tipo de livro que você fecha, suspira e sorri, pois te faz enxergar o mundo sob uma nova perspectiva.

Por fim, anos depois li “O Mundo de Sofia”. O livro não teve a mesma mágica, mas eu pude compreender o poder das palavras de Jostein Gaarder.

3 – O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

ppClichê, eu sei. Mas nem tudo que é clichê é ruim e, por mais que devamos sair dos lugares-comuns, devemos também experimentar o clichê para compreendê-lo, principalmente se pretendemos criticá-lo. E não, eu não critico “O Pequeno Príncipe”. Na verdade, eu o adoro.

Idade com que li / para a qual recomendo: 10 anos – mas creio que crianças mais novas também possam lê-lo.

Eu lia o livro à noite junto com minha mãe, e sempre discutíamos o que cada parte significava, comparando a interpretação de uma criança à de uma adulta, da mesma forma que o autor faz o contraste entre os pensamentos do piloto que cai no deserto e os da pequena criança por ele encontrada. Quando dizem que este livro pode ser lido em qualquer idade, não é bajular sem motivos uma história, é fato. Por isso recomendo que o livro seja dado a uma criança e que, anos depois, ela o releia. Muitas coisas mudarão e ideias não compreendidas passarão a fazer todo o sentido.

Eu gosto tanto dos ensinamentos do livro que não me importei em adquirir, depois de ler o livro da biblioteca, uma edição em inglês (era uma edição de capa dura com várias histórias infantis), uma edição em francês e uma edição especial em português lançada há pouco tempo (correspondente à imagem).

4 – Desventuras Em Série – Lemony Snicket

DESVENTURAS_EM_SERIE_MAU_COMECO_1358432884BA indicação pode não ser unânime. Afinal, muitas lacunas foram deixadas ao longo dos 13 livros, bem como muitas situações forçadas. Mas nada disso retira a relevância da obra ou seu merecimento à uma menção na lista de indicações.

Idade com que li / para a qual recomendo: dos 11 aos 14 anos (não lembro com exatidão quando li o último livro). Acredito que crianças mais novas possam ler – sempre a depender da personalidade da criança, claro -, mas não acho que 11 anos esteja fora do padrão.

São muitos livros narrando a trajetória dos órfãos Baudelaire e da sua busca por uma vida em que não sejam perseguidos pelo arqui-inimigo Conde Olaf ou pelos segredos de CSC. A leitura de todos pode demorar em função da quantidade, mas os livros são rápidos e fáceis de ler. Ainda rendem ótimos comentários e suposições com os amigos.

Esta indicação é bem menos reflexão do que as outras. É um misto de aventura e humor negro, pois os finais dos Baudelaire nunca são felizes. E conforme os órfãos vão crescendo e descobrindo mais do mundo, nos envolvem nos mistérios que também desejam desvendar – como o que significa CSC, o que aconteceu com seus pais ou com conhecidos que desapareceram misteriosamente.

5 – Percy Jackson e Os Olimpianos – Rick Riordan

pjNão acho, novamente, que seja uma indicação inovadora, mas creio que seja uma ótima indicação. Primeiro porque o livro é bom. Segundo porque fala sobre mitologia grega, o que eu amo. Terceiro porque o livro veio de uma história que o autor contou para seu filho. Segundo Rick Riordan, a ideia de escrever Percy Jackson surgiu dos pedidos de seu filho para que o professor de história lhe contasse algumas histórias originais. Assim, Rick Riordan se inspirou nos mitos gregos e criou personagens próprios, tornando, posteriormente, as narrações em livros.

Idade com que li / para a qual recomendo: 16 anos, mas claramente crianças mais novas podem ler (o personagem principal inicia a história com 11 anos, não havendo nada obscuro demais que faça o livro ser impróprio para crianças dessa idade ou um pouco menores). Eu nem tinha a opção de lê-lo antes, pois o livro foi lançado em 2008, apenas 01 ano antes de eu ganhá-lo.

O livro narra a trajetória de um semi-deus, filho de um dos três grandes deuses (Zeus, Poseidon e Hades), que precisa lutar contra a profecia que diz que ele decidirá o futuro do mundo. Os 5 livro dessa série contam as lutas de Percy Jackson e seus colegas do acampamento meio-sangue, apresentando aos leitores inúmeras criaturas e mitos gregos, fazendo referências, também, a ícones da cultura pop. O livro é leve, com algumas tiradas engraçadas, e ainda que sempre siga um roteiro básico (uma batalha para cada membro da missão), é bastante empolgante.

6 – Penelope – Marilyn Kaye

índiceEntrando na parte final de indicações, com alguns romances, porque existem gostos de todos os tipos. Às vezes, sinto que os romances (falando na questão de enredo romântico e não de gênero textual) são menosprezados pelas pessoas. Ainda que o número de leitores do estilo seja grande, quase nunca são considerados bons ou de qualidade, perdendo para os livros de aventura ou mistério. Um romance no meio de uma história ou que defina a história não deveria representar menor qualidade objetiva de uma narrativa e, por isso, sinto-me na obrigação de indicá-los aqui, para que os leitores, desde cedo, percam seus preconceitos.

Idade com que li / para a qual recomendo: 21 anos, mas crianças de 10 anos poderiam lê-lo.

“Penelope” é uma daquelas exceções da literatura, tendo sido baseado no filme homônimo. Assisti ao filme antes de ler o livro (até porque a única forma de conseguir o livro é pela internet, pois já faz anos desde o seu lançamento, e eu nunca tinha me interessado o suficiente), e adorei a história. O livro narra a vida de Penelope, uma jovem que foi amaldiçoada e nasceu com um focinho de porco, e cuja única salvação seria ser aceita por alguém com sangue azul. Ela passou a vida reclusa em sua casa, buscando nobres que pudessem aceitá-la em casamento, até que desistiu de  tudo e resolveu ter uma vida, descobrindo que, com ou sem focinho, ela era a única que precisava se aceitar.

Como descrito no próprio prefácio, Penelope é uma versão moderna de conto de fadas em que o príncipe é apenas uma pequena parcela do enredo (bem pequena mesmo) e em que a princesa toma a força e vai em busca de sua vida.

7 – O Mistério da Estrela (Stardust) – Neil Gaiman

STARDUST_1260375587BO último livro a ser indicado também é um romance, que será indicado porque eu amo o filme, adoro a história, adoro o Neil Gaiman e, porque, embora quem tenha assistido ao filme possa pensar que a história é adulta demais para ser indicada, a história do livro – a qual é um pouco diferente da versão cinematográfica – é apenas uma história parecida a um conto de fadas (com uma pequena menção a relações sexuais, tão pequena, que apenas crianças que ainda acreditam em cegonhas não deveriam ler), um tanto inocente demais para os adultos, mas nada convencional e, por isso, maravilhosa.

Idade com que li / para a qual recomendo: 19 anos, mas crianças de 10 poderiam lê-la sem problemas maiores, conforme já mencionado acima.

“Stardust” conta a história de Tristan, um jovem apaixonado que promete à sua amada ultrapassar a muralha, invadindo um terreno proibido, para capturar a estrela cadente que ambos viram cair. Todavia, a estrela, conforme descobre Tristan, é uma mulher com sentimentos e cujo brilho depende deles. Tristan não terá somente que proteger a estrela dos estranhos seres do outro lado da muralha, mas também terá que fazê-la brilhar. Também recomendo o filme – um dos meus favoritos -, mas este sim talvez seja um tanto adulto demais. O livro “O Mistério da Estrela” fala sobre este lado mágico desconhecido, sobre bruxas e seres diferentes e sobre o amor. Nada que os mais novos não possam ler.

Quis trazer alguns livros que marcaram a minha infância enquanto leitora e alguns que li quando mais velha, mas que achei pertinentes à lista. Tentei abranger diversas idades (desde os 7 anos até a pré-adolescência), mas a verdade é que o gosto literário varia de pessoa para pessoa. Existem crianças que, aos 10 anos, gostam de ler Stephen King ou Tolkien., outras que só gostam de quadrinhos. Não existe uma regra de adequação, nem de gosto, mas sei como pode ser difícil escolher um presente. Então, aqui não estão apenas as minhas memórias e os meus gostos registrados, mas também as indicações para quem precisa arranjar um presente de última hora.

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