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Resenhas :: Fragmentados

Título: Fragmentados

Autor: Neal Shusterman

Editora: Novo Conceito

Páginas: 368

Opções de livro impresso: Buscapé

* Livro cedido em parceria com a editora Novo Conceito.

Sinopse: Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria .

Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.

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Antes de começar a resenha eu quero que vocês reservem sete minutinhos do seu tempo e assista a esse booktrailer

Okay, sentiu o drama? Pois é, agora imagine ficar com a mesma sensação durante a leitura de um livro inteiro? Foi exatamente assim que me senti ao ler Fragmentados. E ainda sinto, de certa forma. O pior de tudo na leitura desse livro é chegar a conclusão de que das inúmeras distopias que temos por aí essa, de fato, pode acontecer no futuro. Não exatamente como na história, mas partes dela sim; Afinal trata-se principalmente de problemas que muitos ainda ignoram: Doação de órgãos, aborto e controle populacional.

Na sociedade criado por Neal o aborto é proibido, porém se você não quiser uma criança pode simplesmente deixá-la na porta de outra pessoa (como eles chamam de “entregue pela cegonha“) e por lei essa família é obrigada a acolher este bebê. Caso você tenha um filho desejado poderá cria-lo e ama-lo mas aí dele se der trabalho: Entre os 13 e 18 anos corre o risco de ir para a fragmentação. Imagine-se na sua adolescência, o quanto você não deu de trabalho para seus pais? Afinal, todo o adolescente é rebelde por natureza, respondão e inconsequente e baseado nisso você acha que seus pais te mandariam para a fragmentação se tivessem a ~oportunidade~? Ou agora imagine que você ou alguém de sua família precise de um coração urgente! Se você tivesse dinheiro compraria este órgão no mercado negro? Pois certamente hoje em dia muitas pessoas o fazem sem se importar de onde o órgão vem. Mas o quanto seria bom se esse tipo de procedimento estivesse garantido por lei? Não teríamos problema nenhum, certo? Claro que nos dias atuais esse problema poderia ser minimizado se as pessoas tivessem mais consciência sobre o que é a doação de órgãos, se não tivesse medo (de que?) de doar. Mas nesse caso é outra abordagem que não cabe aqui pois o post está se estendendo até demais.

Kit

No meio de tudo isso temos três personagens: Connor, Risa e Lev. Cada um foi mandado para a fragmentação por um motivo diferente e por sorte do destino seus caminhos acabaram se cruzando e eles partem para uma jornada de fuga. Pode-se dizer que Connor é Risa são os personagens clichê desta obra, além de o possível casal (romance é certamente o último dos últimos tópicos abordado pelo autor nessa história) e nem por isso eles deixam de ser menos, pelo contrário. Eu nunca gostei tanto de dois personagens como gostei deles. Connor é um pouco difícil de compreender no inicio mas no fundo ele só um garoto cheio de fúria, sem controle sobre si e que encontra na amizade com Riza uma forma de tomar esse controle de volta.

Lev é um caso sério. Oh! menino insuportável. Sabe quando você lê um livro e imagina o personagem com base de um ator? Lev para mim é aquele menino de As Crônicas de Nárnia que trai todo mundo! Não sei o nome dele, sorry fãs. Mas é isso! Simplesmente chato, que ferra todo mundo e que (aparentemente) se torna um rebelde sem causa. Só que também não vou culpar o garoto por tudo, nunquinha. Lev tem um histórico muito interessante com a religião (que também é um dos assuntos discutidos no livro) e eu até entendo um pouco de suas atitudes ao longo da história. Mas a raiva dele é grande que acho que ele precisara fazer muito mais nos próximos volumes.

O livro é narrado em terceira pessoa, por isso além do foco nos três fragmentários às vezes o autor foca em outros personagens – mesmo que este apareça apenas uma vez no livro. Geralmente não gosto de livros em terceira pessoa mas nesse caso caiu como uma luva, pois se para mim já foi agoniante vendo tudo de fora imagina se fosse pelos personagens e sentir praticamente na pele seus medos? A leitura se tornaria muito mais pesada e desgastante e isso poderia desagradar alguns leitores – certamente me desagradaria um pouco.

Passagens preferidas

— E se for um campo de colheita, afinal? — diz Emby. Connor não o manda calar a boca desta vez, pois está pensando a mesma coisa.
É Diego quem responde:
— Se for, então quero que meus dedos vão para um escultor. Pra que ele possa usá-los pra criar algo que dure pra sempre.
Todos pensam a respeito disso. Hayden é o próximo a falar:
— Se eu for fragmentado — diz ele —, quero que meus olhos vão para um fotógrafo… um que fotografe supermodelos. É isso que eu quero que estes olhos vejam.
— Meus lábios vão para um astro do rock — diz Connor.
— Estas pernas definitivamente vão para as Olimpíadas.
— Meus ouvidos, para um maestro.
— Meu estômago, para um crítico de gastronomia.
— Meus bíceps, para um halterofilista.
— Eu não desejo minhas fossas nasais a ninguém.
Quando o avião aterrissa, todos estão rindo.

~

— Meus pais — começa ele — fazem tudo o que devem fazer. Eles pagam impostos. Vão à igreja. Votam do jeito que os amigos deles esperam que votem e pensam o que devem pensar, e nos mandam para escolas que nos educam para pensar exatamente como eles pensam.
— Isso num parece tão ruim pra mim.
— Não era — diz Lev, o desconforto crescendo. — Mas meus pais amaram Deus mais do que a mim, e eu odeio eles por isso. Então, acho que isso significa que eu vou pro inferno.

Se você gosta de distopia então acho que Fragmentados é leitura obrigatória. Se você gosta de ficção-cientifica também é super indicado; Até assuntos como religião e os outros citados no inicio desse post. Se você procura uma distopia com romance então o livro pode não te agradar muito, já que o foco está longe disso até o final desse primeiro volume.

Infelizmente o autor não deixou muita coisa para o leitor ficar desesperado pela sequencia, mas com certeza sera uma tortura esperar pela editora lançar o próximo (Por favor, Novo Conceito, que seja logo!!!).

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Neal Shusterman Já escreveu mais de 30 livros premiados para jovens e adultos, incluindo Full Tilt, a Trilogia Skinkacker, Unwholly, Bruiser e The Schwa Was Here, que recebeu o Boston Globe-Horn Award como melhor livro de ficção. Ele também escreve roteiros para o cinema e a televisão, como Animorphs e Goosebumps. Pai de quatro filhos, Neal vive no sul da Califórnia.

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13 pensamentos sobre “Resenhas :: Fragmentados

  1. Oi Silviane, não costumo ler muitas distopias, mas essa foi uma das minhas favoritas. Fiquei imaginando se um dia chegaríamos próximo de algo parecido, a falta de amor pelo próximo está tão grande que não duvido nada. A parte da fragmentação foi uma tortura, mas confesso que eu estava bem curiosa para saber o que acontecia nos campos de colheita. Mal posso esperar pela continuação.

    Bjs, Glaucia.
    http://www.maisquelivros.com

  2. Oi Sil,

    Aprendi a gostar de distopia, mas tem umas que me assustam muito, (sou medrosa assumida, hahahaha). Bom, sua resenha está uma delícia de ler e passa o que é a trama na medida certa. Na minha adolescência não dei trabalho nenhum, como diz a minha Mamis e dizia meu Papis sempre fui a filha que qualquer pai e mãe gostariam de ter, ainda bem, né? Senão se fosse na sociedade do Neal eu seria fragmentada. #SQN sempre fui muito de boa e ainda sou.
    Agora, fiquei assusta a enésima potência com o booktrailer, acho que não lerei este livro não.

    Beijos
    Tânia Bueno
    http://www.facesdaleitura.com.br

  3. Oi Silviane…
    Pausa para respirar rs.
    Olha a sua resenha foi a mais complicada e extraordinária que li desse livro… sim… porque não tinha visto esse book trailer… e confesso que ainda estou com o meu estômago revirado e isso significa apenas uma coisa: Vou curtir a leitura dessa distopia. Sim eu amo distopias… sei que pode parecer louco… e por mais que eu goste do tema e sei que a nossa sociedade em geral caminha exatamente por esses lados, eu jamais queria que se seguisse assim e ficasse apenas nos livros… Eu curto exatamente esse tipo de distopia, claro que adoro quando tem romance, mas não espero isso quando leio uma, por isso é muito difícil eu me decepcionar com a leitura de um livro distópico… só se o autor ou autora… não souber desenvolver bem o desfecho final… e até agora só me frustrei com um final.. de todas as distopias que li…. Mas desde que comecei a leitura das resenhas desse livro eu tinha certeza que essa poderia ser o inicio de uma quedaria o que falar pelo tema e pela polêmica como o assunto é tratado. Sinceramente não li o livro, mas acredito que ele tem todo o ensejo para virar uma adaptação excelente se for bem trabalhada…. faz um tempo que uma resenha não me deixa tão cativada com a leitura de um livro… que mexe com meus sentimentos só de lê-la… e você conseguiu, não só pelo vídeo, mas por tudo que disse e destacou, parabéns… Xero!!!!

    http://minhasescriturasdih.blogspot.com/

  4. Oi, Silviane, tudo bem?
    Eu li Fragmantados há pouco tempo e gostei bastante, apesar de ter ficado chocada com algumas cenas.
    Acho uma das distopia mais assustadoras que já li até hoje hahaha. Pq… já pensou se essa moda pega? Deus me livre! hahaha
    Eu achei o final bastante satisfatório, assim como você estou supr ansiosa pelo segundo volume (que pelo que li no Goodreads, é narrado por um novo persoanagem que é um tipo de Frankenstein da fragmentação. Deve ser ainda mais bizarro!

    Parabéns pela resenha!

    Beijos,
    Amanda
    http://www.confissoesfemininas.com/

  5. Esse livro acabou comigo. Acho que nunca tive tanto ódio de uma distopia quanto tive dessa. Fui uma adolescente insuportável, ainda bem que a fragmentação não é real. Não tinha visto o book trailer antes de ler, e acho que isso fez uma das cenas ficar ainda mais aterrorizante. Gostei muito da leitura, mesmo tendo sofrido horrores com o livro.

    Beijo.

    Ju
    Entre Palcos e Livros

  6. Olá! Parabéns pela resenha 🙂 Olha, te confesso que nunca li uma distopia. Não conseguia gostar só lendo pela sinopse. Mas, a sinopse desse deixa uma curiosidade a mais e depois de ler a sua resenha me deu vontade de ler. O vídeo foi bem dramático e fico imaginando esse drama nas páginas do livro. Fiquei com muita vontade de ler. Beijos!

  7. Oiee!!
    É a segunda resenha que leio sobre, e fiquei bem ansiosa para lê-lo, pois me parece ser aquela distopia que meche com o leitor fazendo-o sentir na pele os dramas dos personagens!!
    A ideia de ser fragmentado de da arrepios!!
    Ótima resenha!!
    Beijos

  8. Oi Sil, tudo bem?
    Antes de ler Fragmentados, já fiquei desesperada por causa do book trailer. Eu gostei muito do livro, mas a parte de fragmentação me enojou. Sério. Ainda tentando entender como os pais fazem isso com os filhos, é muita crueldade.
    Espero desesperadamente pela continuação, vamos torcer para que a NC não demore a publicar. Fragmentados é um livro que sempre indico, porque eu adorei a narrativa do autor. Parabéns pela resenha.

    Beijos
    Leitora Sempre

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