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Resenhas:: Filha da Ilusão

Título: Filha da Ilusão (Born of Illusion)

Autor: Teri Brown

Editora: Valentina

Páginas: 288

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Saraiva

Sinopse: Anna Van Housen Tem Um Segredo.

Ilusionista talentosa, Anna é assistente de sua mãe, a famosa médium Marguerite Van Housen, em seus shows e sessões espíritas, transitando livremente pelo mundo clandestino dos mágicos e mentalistas da Nova York dos anos 1920.

Como filha ilegítima de Harry Houdini – ou, pelo menos, é o que Marguerite alega –, os passes de mágica não representam um grande desafio para a garota de 16 anos: o truque mais difícil é esconder seus verdadeiros dons da mãe oportunista. Afinal, enquanto os poderes de Marguerite não passam de uma fraude, Anna consegue realmente se comunicar com os mortos, captar os sentimentos das pessoas e prever o futuro.

Porém, à medida que os poderes de Anna vão se intensificando, ela começa a experimentar visões apavorantes que a levam a explorar as habilidades por tanto tempo escondidas. E, quando um jovem enigmático chamado Cole se muda para o apartamento do andar de baixo, apresentando Anna a uma sociedade secreta que estuda pessoas com dons semelhantes aos seus, ela começa a se perguntar se há coisas mais importantes na vida do que guardar segredos. Mas em quem ela pode, de fato, confiar?

Teri Brown cria, neste fantástico romance histórico, um mundo onde pulsam a magia, a paixão e as tentações da Nova York da Era do Jazz – e as aventuras de uma jovem prestes a se tornar senhora do seu destino..

“Filha da Ilusão” é um livro que mistura a temática sobrenatural com mistério. Em razão de alguns elementos na narrativa – como a futura profissão de investigador de um dos personagens e a finalização da trama – e das sinopses das continuações, creio que, talvez, a intenção da autora fosse se aproximar de uma espécie de romance policial com inserção de poderes sobrenaturais. Todavia, a história, ao menos do primeiro livro, não transmite esta sensação, deixando o mistério em segundo plano e colocando em evidência a questão dos poderes da protagonista. Embora possua algumas críticas, é um ótimo livro, de leitura fácil e agradável e com uma história instigante.

Anna Van Housen é assistente de sua mãe, Marguerite Van Housen. Enquanto Marguerite finge ser um médium extraordinária, Anna encanta o público com seus truques de ilusionismo, sendo tão talentosa quanto aquele que Marguerite alega ser seu pai, o famoso Harry Houdini. Quando se mudam para a Nova York da década de 20, Anna Faz o máximo possível para esquecer o passado sujo de furtos e fugas que a envolve e para se tornar um moça respeitável. Porém, esta pode ser uma tarefa difícil quando a presença de seu novo vizinho, Cole, fazem os poderes da jovem se intensificarem, fazendo que Anna faça contato com mortos e veja futuros nada agradáveis. Anna pode fugir de tudo e todos, menos daquilo que é e daquilo que está destinado a acontecer.

“Olho para o programa que apanhei em São Francisco, quando o circo estava fazendo uma turnê pela Califórnia. Os olhos de Harry Houdini me encaram, ferozes. Será que herdei essa maldição de você?, sussurro para o o mágico e escapista mais famoso do mundo.”

“Porque eu não a quero. Nenhuma de suas manifestações. Nem as visões do futuro, nem sentir as emoções dos outros, e menos ainda o dom de falar com os mortos. Tudo que sempre quis foi ser uma moça normal, com uma vida normal. Falar com os mortos ou ver o futuro não pode, sob nenhum aspecto, ser considerado como algo normal.”

O livro começa com o encontro de Anna e Cole. Os dois possuem uma conexão e esta conexão os levará a um leve romance, o qual não é o foco do livro. É possível se afeiçoar ao casal, mas as cenas românticas são bastante sutis. Cole é aquele personagem masculino elegante e misterioso, que sabe muito, mas não pode revelar – neste caso, não porque colocará em perigo a vida de Anna, mas porque são as regras de um grupo ao qual ele pertence -, confundindo Anna quanto às suas intenções e abrindo margem a outro cavalheiro. Owen é o sobrinho do novo empresário de Anna, o típico rapaz despreocupado que adora esbanjar dinheiro e se divertir. Todavia, é também o típico personagem de quem se desconfia imediatamente – menos Anna.

Retirando a parte do romance, a história gira em torno do que é a chamada Sociedade de Pesquisas Paranormais, de qual a relação entre esta sociedade e as perseguições de Anna e de como ela pode auxiliar a protagonista a evitar a visão que passou a atormentá-la. Desde que conheceu Cole, Anna tem a visão de que está se afogando, e de que sua mãe está gritando, e ela tem certeza de que os ataques e perseguições podem ser a pista do seu grande inimigo.

Embora a história seja realmente boa, principalmente devido àsIMG_2485 manifestações dos poderes de Anna, os personagens são um tanto clichês. Não somente os interesses românticos da protagonista são personagens previsíveis, como os vilões também. Desde o início – ou desde o momento em que o personagem aparece – é possível captar, ao menos em parte – pois há informações que somente são reveladas entre o meio e o fim do livro – as suas intenções. Quando alguns elementos, como iniciais de nomes, se revelam, a descoberta fica estampada, e é de surpreender que a protagonista, sempre tão atenta a todos os detalhes e sempre tão prevenida, faça a conexão somente quando o vilão se revela a ela. Anna é a personagem mais original, embora não pareça ter apenas os 16 anos que lhes são atribuídos – o que poderia ser explicado pela vida que levou, tendo sido obrigada a cuidar de uma mãe egocêntrica, vaidosa e inconsequente. Apesar disso, há momentos em que demonstra a sua juventude, como quando sai para dançar com Owen ou mesmo em seu desejo de obter mais espaço nos shows da mãe, levando-a a roubar, infantilmente, a cena.

Agora, faço a maior crítica ao livro. Ao longo da história, somos instigados a conhecer a essência da Sociedade de Pesquisas Paranormais, os conflitos que a permeiam, quem está envolvido com ela e o porquê, e a descobrir como Anna pode usar seus poderes para se salvar da visão terrível que vem tendo. O desfecho, porém, está longe de ser condizente com toda a curiosidade e ansiedade estimuladas. Inicialmente, a Sociedade é apenas o meio que conecta os personagens, não sendo tão relevante enquanto sociedade em si . Em segundo lugar, a visão de Anna se concretiza em pouquíssimas páginas, as quais não são suficientes para superar as expectativas. A descrição das visões é mais completa do que o próprio fato, e quando nos damos conta, é como se tivéssemos desmaiado na hora do principal acontecimento e acordado quando tudo estivesse resolvido, sabendo dos detalhes pelo breve comentário de uma testemunha. Claro, é uma forma de contar a história, mas não achei razoável e quase cheguei  pensar que nada seria explicado. A única surpresa foi que nem todos os antagonistas estavam juntos pelo mesmo motivo.

Não fosse o final, eu poderia dizer que realmente amei o livro. A questão dos personagens um tanto clichês é superável quando a história traz elementos inovadores, até porque é difícil encontrar histórias que fujam de todos os estereótipos. “Filha da Ilusão” conseguiu trazer estes elementos, misturando o ar da década de 20 – e a graça da década, pois foi um sonho imaginar personagens com chapéus cloche e cenas de bares tocando jazz – com o encanto do ilusionismo – as descrições dos shows e dos truques de Anna eram perfeitas -, o mistério do sobrenatural e a ação do perigo. E teria sido perfeito, se o desfecho não tivesse sido tão fácil e rápido.

A série “Herdeiros da Magia”, possui outras duas histórias, continuações desta e sobre Anna Van Housen, ainda não lançadas no Brasil: um conto intitulado “Born of Corruption” (“Filha da Corrupção”, em tradução livre baseada no título brasileiro) e outro livro, intitulado “Born of Deception” (“Filha da Trapaça”, em tradução livre baseada no título brasileiro), o qual dá seguimento à história de Anna, conforme os planos mencionados ao final de “Filha da Ilusão” – e que, espero eu, revele alguns detalhes que, talvez, tenham se perdido no primeiro livro da série.


Teri Brown possui dois filhos, Autor é fã de heavy metal, detesta matemática, devora livros, pilota fogão, cria gatos e é cem por cento urbana. Teri vive com o marido e um mundo de bichos de estimação em Portland, Oregon
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