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Resenha :: Mamas e Tetas de Tiresias

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AS MAMAS DE TIRESIAS

Guillaume Apollinaire

Ano: 1985

Tradução: José Maria de Carvalho

Ilustração: Carlos Clemen

Páginas: 105
Editora: Max Limonad

O autor, tendo vivido nos idos de 1880 a 1918, era filho de uma condessa polonesa, de pai desconhecido. Condessas também pulam o muro.

Estreou AS MAMAS, em 1917, escrita enquanto se recuperava de ferimento que sofreu em  batalha junto às  tropas francesas, na I Guerra Mundial.

É dito que AS MAMAS, ou TETAS, como querem alguns, não têm lugar à parte na obra de Apollinaire. O poeta finge quando parece ser banal mantendo, no entanto, o estilo de sua pena infalível. A rima é digna de risos, contudo, está reduzida a uma intenção de por, aquilo tudo, em cena.

É  obra para  teatro, para um teatro daquela época que, hoje, necessita de adaptação, como deve ser qualquer montagem de artes cênicas.

O dramaturgo Guillaume nos quer divertir. Somente.

Guillaume é um criador de ilusões que não nos quer desesperados: – a vida já é bastante para nos aborrecer;  o pessimismo deixa de ser deste tempo e guerras. Mas não separa o teatro da vida.

O tema é de hoje, atual e complacente com certas posições; não se trata, afinal, de uma peça escrita para nós do povo e da plebe?

Apollinaire evidencia a lição da guerra e moraliza, parecendo que não:

AS MAMAS liberta-nos, enfim, do teatro de boulevard e quiçá, do cinema da década inicial do século XX… Se o cinema já ofertara Chaplin (e não será AS MAMAS o que Chaplin costuma interpretar?) Apollinaire deu-nos Tirésias.

O que vemos?

Cenários precisos que evocam quadros fantásticos de casas que buscam o infinito. A moralidade musical acrescenta tristeza às armas que são muito divertidas em sua pequenez poderosa de estragos.

Vemos o acordeon, a gaita de foles e a louça partida.

Ouvimos fortes coros, como  anjos perdidos cantando  a música dos seus sentimentos.

Porém, a plateia da estreia foi insensível mesmo tendo artistas em seu meio. Riram onde deveria o povo comum rir, mas não o artista. Este deveria protestar. Matisse,  Picasso, Braque, nem lá estiveram.

AS TETAS já é comparada a UBU REI e ao musical PARADE de Eric Satie sobre tema de Jean Cocteau e cenários de Picasso.

Guillaume Apollinaire dirá:

Eles é que deviam ser comparados às Mamas de Tirésias. Vou recordar-me sempre desta tarde de 24 de Junho de 1917 como uma jovialidade única que me permite o presságio de um futuro para um teatro liberto da preocupação de filosofar.

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