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Resenha:: Encruzilhada

Título: Encruzilhada (Pivot Point)

Autor: Kasie West

Editora: Seguinte

Páginas: 298

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Saraiva

Sinopse: A vida de Addison Coleman é um grande “e se…?”, graças à sua habilidade especial: Investigar Destinos. Addie é capaz de prever duas possibilidades de seu futuro toda vez que precisa tomar uma decisão.
Quando os pais dela anunciam o divórcio, a garota deve escolher se vai morar com o pai entre os Normais ou se prefere ficar com a mãe no Complexo Paranormal. Para ter certeza do que a espera, Addie resolve Investigar.
Em uma alternativa, ela conhece Trevor, um Normal sensível com quem logo sente uma conexão. Na outra, se envolve com Duke, o garoto mais popular da escola Paranormal. E agora, em qual futuro Addison estará disposta a viver?

Devo estar em uma maré de sorte, pois a maior parte dos livros que leio me agradam. “Encruzilhada” não foi diferente. O livro, acima de tudo, surpreendeu-me bastante, pois o imaginava como um romance juvenil envolvendo superpoderes. A história no entanto, tornou-se agoniante – no sentido de que instiga o leitor a querer descobrir a conclusão logo – à medida que surgiam novos mistérios nas investigações de Addie. Inicialmente, achei que não gostaria do livro, pois parecia contar duas histórias distintas com a posterior decisão de uma menina sobre qual seria o melhor futuro. O livro, porém, foi muito bem pensado e escrito, revelando segredos de uma ou outra realidade através da outra visão de Addie, conectando as duas histórias e mostrando que há elementos que não podem ser modificados, independente da nossa própria escolha. Às vezes, esses elementos são o que determinam o nosso futuro e o que nos levam a fazer escolhas e sacrifícios.

Como dito na sinopse, a história começa com o divórcio dos pais de Addie e a escolha da jovem entre viver com sua mãe, entre os Paranormais, aqueles que sempre conheceu, ou com seu pai –  quem Addie prefere – entre os Normais, pessoas com baixo desenvolvimento cerebral e que desconhecem a existência dos Paranormais.  Para decidir, Addie resolve usar seu poder de Investigar Destinos – erroneamente classificado como Clarividência, o poder permite que Addie veja o futuro a partir de uma bifurcação na linha do tempo determinada por suas escolhas – e estudar em que realidade ela será mais feliz nos próximos seis meses. Depois que decidir, sua melhor amiga, Laila, que possui o poder de apagar memórias , vai apagar a visão rejeitada. A história então, passa a intercalar os dois futuros de Addie, voltando ao ponto inicial apenas no último capítulo.

Em uma das investigações, Addie está com sua mãe, com quem não possui uma boa relação, no Complexo Paranormal. O bom é que pode ficar ao lado de Laila, ajudando-a a atravessar os problemas de família – o pai de Laila é viciado em drogas -, e usar seus poderes sem restrições, sem ter que fingir ser o que não é. Nesta realidade, também, Addie descobre que Duke, o quarterback que, supostamente, possui o poder de telecinese (movimentar objetos), está interessado nela. Duke é amigo de Bobby (um manipulador de matéria), o menino que convidou Addie para o baile e que foi rejeitado depois que ela teve uma investigação traumática. Apesar de sentir uma estranha atração por Duke, esta amizade é o que gera certa insegurança em Addie. Poderia Duke ser diferente de tudo o que ela acreditava?

– É difícil explicar. Estou sempre cercada de pessoas que, propositalmente ou não, podem me manipular. Como minha mãe. Ela diz que não usa Persuasão comigo, mas o simples fato de saber que ela pode fazer isso me deixa mais inclinada a fazer o que ela pede, porque não quero que use a habilidade comigo. Então, mesmo quando não usa, de certa forma ela ainda está me manipulando. Apenas permito que pule uma etapa. meu pai também. Como sei que não posso mentir para ele, não minto. Acha que faz sentido? […] Quando leio sinto minhas próprias emoções. Emoções que nenhuma outra pessoa me obriga a sentir. Para mim, parece quase mais real, porque sei que aqueles personagens não podem me influenciar com nenhuma habilidade. Então gosto de lembrar que posso ter sentimentos sem ninguém me manipular.

Na outra investigação, Addie finge ser uma garota normal, proveniente da Califórnia, que mora com seu pai, agora um agente do FBI. Durante um jogo, Addie conhece o antigo quarterback local, Trevor, escolhendo-o como seu provável novo melhor amigo.O problema é que Trevor sofreu uma grave e misteriosa lesão no ombro, levando-o a perder um título de melhor jogador de futebol americano, e esta lesão pode envolver alguém do Complexo. Mas Trevor não será a única questão  a atormentar Addie. Em ambas as realidades, a aparição de um homem chamado Veneno pode representar um perigo para a vida de Addie e de todos os que ela ama.

–  Já sentiu que fez ou foi alguma coisa por tanto tempo que isso te define?

Ah, se ele soubesse…

– Sim. Sei exatamente como é

– Sério?

– Sim. Às vezes sinto que estou flutuando lentamente para longe. Estou procurando algo em que me agarrar para não me perder – Principalmente porque sem minha habilidade para me definir, não tenho certeza de quem sou e de como os ouros me enxergam.

[…]

– Sei que no ano passado ainda estava no penúltimo ano, mas já tinha todo o futuro planejado. Agora sinto que ainda estou tentando me prender ao que fui, mesmo que a coisa que fez de mim aquela pessoa não exista mais. e todos os outros parecem estar apegados àquela pessoa também.

Acredito que existam dois pontos a serem destacados. O primeiro é de que a autora fez um ótimo trabalho na escrita, pois conseguiu fazer as conexões de forma sábia e incluir nas realidades futuras de que Addie teria feito a investigação e de qual teria sido o destino escolhido. O segundo ponto se refere ao personagens bem escritos e que fogem dos típicos estereótipos. Os personagens eram capazes de analisar as situações de forma coerente e inteligente, sem a necessidade de a autora incluir falhas tolas em suas ações – os personagens não agem de forma anormalmente ingênua e estúpida como em muitos livros com personagens dotados de poderes especiais. Addie não é a típica mocinha que acaba acreditando nos vilões e apenas agindo para salvar tudo e todos, sendo, sem dúvida, a melhor personagem do livro. Ela é inteligente, embora também apresente as características de uma típica adolescente. Acredito que a atitude mais surpreendente da protagonista e capaz de demonstrar a sua inteligência é a que fecha a história. Addie sabe que não pode escolher o caminho mais fácil, apesar de que ambos são dolorosos, e consegue ser racional, escolhendo fazer o que seria o único bom final para o livro.

“Encruzilhada” possui uma continuação, “Split Second”, ainda não lançada no Brasil. Aguardo ansiosamente pelo lançamento, pois o epílogo mostra o que acontece imediatamente depois do destino escolhido por Addie, gerando a incerteza da eficácia do plano que a protagonista traçou no momento de sua escolha ao mesmo tempo em que nos dava evidências de que alguns sentimentos são maiores do que qualquer escolha realizada.

 


Kasie West se formou na Universidade Estadual de Fresno na Califórnia, e mora com o marido e os quatro filhos. Além de escrever, Kasie se diverte praticando wakeboard, ouvindo rock alternativo, lendo até tarde e comendo muito chocolate amargo com menta.
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