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ensaio: MUSICOTERAPIA – desafios entre a Modernidade e a Contemporaneidade

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MUSICOTERAPIA – desafios

autoras: MARLY CHAGAS e  ROSA PEDRO

páginas 80

editora MAUAD

Alunos do Projeto Prima, na Paraíba: Inserção social através do ensino teórico e prático da música. Nesse caso a música como agente social.

Há indicativos, contudo, de que os povos chamados primitivos, muita vez, revelaram maior confiança no poder de tambores e trombetas para curar doenças, em contrapartida ao dado de  que a música de liras e cordas nos atinge altas tessituras da alma.  

Nada disso pode ter a ver com  a superstição, mas sim com a cultura. A identidade cultural através de seus símbolos e de seus sons. O som do hino quando cantado na vitória ou no início da peleja. O lama, sacerdote tibetano, que também é médico e entra na casa dos pacientes, fazendo música, não quer exatamente curar o doente com o som dessa música. Ele apenas usa a música como meio de concentrar a força de vontade do paciente e levá-lo à auto reflexão. Às vezes ao êxtase necessário para que ele se cure. No êxtase – sexual ou espiritual – o resultado será o mesmo. Hormônios desencadearão reações no corpo que propiciarão a cura, ou a piorarão.

Os gregos veneravam Esculápio, filho de Apolo e, em sua mitologia, o deus da medicina descendia diretamente do deus da música. Coincidência?

Na Ilíada Homero escreve que uma epidemia causada por Apolo foi eliminada pelo coro dos Aechaeros.

No livro 29 da Odisseia, conta-se que um ferimento de Ulisses parou de sangrar quando tratado com música. Exemplos poéticos, bem sei. Mas, há inúmeros exemplos onde a música, como mídia de remédios, faz milagres, bem entre aspas.

O filósofo e matemático grego Pitágoras – quase 600 anos antes de Cristo – livrou-se de um bando de lobos prontos a devorá-lo tocando sua flauta, e foi um dos primeiros que tentou curar doenças com a ajuda da música. Para Pitágoras tudo era número – quantidades – e era com essa diretriz que ele pensava assim sobre a música medicamentosa. Assim, ele tocou uma música séria e suave, num determinado ritmo, para curar um rapaz bêbado que queria queimar a casa de sua amada, por ciúme.

Bem… isso pode ser apenas lenda. Mas devemos lembrar que a música é composto sonoro que uma vez emanado caminha pela atmosfera, em ondas e  carreando outras ondas que atingem objetos, inclusive o objeto ser humano. Há efeito físico nisso, inegável. Aliás, o primeiro efeito é físico, somático. Pode-se ser que depois venha o efeito racional.

Por outro lado da poça, na Jônia,  o filósofo e naturalista grego Tales de Mileto — um dos sete sábios da Grécia e dos maiores filósofos e músicos — evitou, através de doces melodias, uma revolta popular na Lacedemônia, bem como acabou, através da música de sua harpa, com uma peste terrível que surgiu como uma “contaminação melancólica” (diríamos hoje “contaminação psíquica”). Tudo mentira. Nada disso aconteceu e fica no campo da lenda.

A música nos atingirá sim, através de seu dado cultural. O construir ou desmoronar de nossa identidade é o que nos fará são ou doente. Se é flauta ou lira, se é tambor ou trombetas, se é de Orfeu ou se é de Dionísios, tudo isso terá efeito em função da cultura que criamos. E serve, o tema, para outras áreas da criação como a literatura e o cinema e o teatro e por ai vai…

A criação – em sentido lato – é que nos faz identificados com essa ou aquela originalidade.

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3 pensamentos sobre “ensaio: MUSICOTERAPIA – desafios entre a Modernidade e a Contemporaneidade

  1. Gostei muito da ideia, sou apaixonada por música e acredito sim no poder curativo dela, talvez não de uma maneira direta mas ao menos no sentido de acalmar ou animar a alma, acredito sim.

    =* até

  2. Esse livro é interessante pelo conhecimento de culturas e por saber mais sobre o que realmente aquilo, aquele rito ou ritual, é para tal povo,, assim podemos ver com outros olhos, os olhos desses povos.

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