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O poder feminino finalmente veio à tona (ou às telas)?

content_picDurante esta semana, dois boatos – ressalte-se a palavra boato – ganharam espaço no mundo das adaptação de HQ para as telas. O primeiro era de que a personagem Mulher Gavião (Hawkgirl) estaria ganhando uma série pelo canal CW. Como se sabe, a personagem interpretada por Ciara Renée, está confirmada no spin-off de “The Arrow” e “The Flash”, “Legends of Tomorrow” –  na série, heróis e vilões se juntam para combater uma perigosa ameaça e proteger o futuro da humanidade -, com estreia prevista para janeiro de 2016, tendo aparecido, no último episódio de “The Flash”, como uma das pessoas que olhavam para o buraco negro que se formava. A notícia divulgada pelo site SpoilerTV, entretanto, foi desmentida pela própria atriz através de seu twitter.

O segundo boato era de que Beyoncé estaria sendo cotada pela Marvel e pela Disney para viver uma personagem no próximo filme de “Os Vingadores”. Embora não tenha sido desmentido, o boato também não foi confirmado. Beyoncé, apesar de tudo, seria uma adendo poderoso à franquia, em virtude da representação feminina que exerce. Talvez, se ela fosse escolhida, representasse mais a força feminina juntamente às personagens de Scarlett Johansson e Elizabeth Olsen – não critico as atrizes de forma alguma, mas seus personagens são menosprezados, pelos produtores do filme, quando comparados aos personagens masculinos, exercendo apenas papéis secundários; e, talvez, eles dessem algum papel com mais força para Beyoncé, em virtude da sua imagem (se não a sexualizassem exageradamente, como costumam fazer).

A situação já foi pior. Houve um tempo em que mulheres como heroínas no cinema e na televisão era algo inconcebível. Vale lembrar que o fracasso do filme “Elektra”, interpretada pela atriz Jennifer Garner, foi atribuído ao sexo da personagem e não à produção. Hoje, pelo menos, temos mulheres importantes em “Os Vingadores” – apesar do sexismo ainda existente -, temos filme solo da Mulher-Maravilha – em produção ainda, com estreia prevista para 2017 até haver problemas com a saída da diretora, e com elenco divulgado formado unicamente, até o momento, por Gal Gadot (Velozes e Furiosos) – e temos série da Supergirl – com estreia prevista para outubro, e cujo episódio piloto vazou na internet há cerca de um mês.

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Já é o suficiente? Não, não estamos nem perto. Produções com personagens principais femininas poderosas ainda são pequenas e não dão tanta rentabilidade, o que demonstra que a cultura machista não está somente nos produtores que escolhem fazer filmes sobre homens com poderes, mas também na sociedade que dá descrédito à mulher. Ainda, temos o fato de que, quando é filme sobre mulher ou com uma mulher poderosa, existem apenas duas opções: a mulher é uma mulher “promíscua” (liberdade é tomada como sinônimo de promiscuidade pelas pessoas – não critico a escolha das personagens, mas sim o julgamento da sociedade e dos próprios envolvidos no filme, como se viu em “Os Vingadores”, em relação à personagem Viúva Negra) ou temos mocinhas, bondosas, ingênuas, subestimadas, e, claro, atrapalhadas com seus poderes (porque mulher dificilmente sabe lidar com o poder)– o que parece ser o caso de Supergirl.

Até quando teremos que dividir o espaço ou diminuir a força feminina? Não sabemos ser fortes o suficiente para lidar com os problemas do mundo de maneira adequada e inteligente, sem precisar de homens ao nosso redor ou roubando a nossa cena? Se Thor, Homem de Ferro, Capitão América e Hulk podem ter, em seus filmes, personagens femininos esquecíveis, pois concentram em si o brilho da tela, não pode haver uma super heroína feminina que também faça isto? Sim, creio que sim. Katniss Everdeen mostrou que não era preciso poder ou um homem para salvá-la para dominar as bilheterias. Apesar de se ver em um triângulo amoroso, não deixou que os homens tomassem seu lugar de liderança. Uma pena que quando se trate de poderes sobrenaturais, as mulheres estejam tão restritas. Uma pena que não desenvolvam mais personagens femininas fortes em franquias de super heróis. Uma pena que não desenvolvam mais séries solo de super heroínas. Uma pena que das personagens heroínas que tenham caráter principal, até o momento só tenhamos a desastrada Supergirl, que ainda nem estreou, e que nem o nome de Superwoman pode ter (em contraposição ao Superman – e, sim, eu sei que é em virtude dos quadrinhos, mas demonstra infantilização da mulher), mesmo já em seus vinte e tantos anos. Esperemos que, ao menos, a série fuja da comédia já conhecida e à qual, aparentemente, pende, e siga em direção à ação que são as séries parecidas de “The Flash” e “The Arrow” – e que, claro, vingue.

 

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