Início » Livros » HARMONIA DE SCHOEMBERG

HARMONIA DE SCHOEMBERG

Captura de tela 2015-06-22 23.47.16

HARMONIA

Arnold Schoemberg

Tradução Marden Maluf

Editora UNESP

Páginas 584

Como se fôssemos atendidos por um médico prático e ele receitasse: Para timidez, Beethoven; esgotamento nervoso, qualquer música com tons maiores; para depressão constante, as valsas de Strauss; para incitar devaneios os noturnos de Chopin. Receitas musicais que médicos europeus e americanos passam a seus pacientes. Os resultados sempre serão mágicos pois, profundamente, são uma forte de alimentar o conhecimento e a memória… Mas, tal atitude não passa de poesia. Cada música, ou som, reflete diferente para cada um.

A música pode mandar viver ou mandar matar.

Hauer diz:

“Certas estruturas musicais, escolhidas a dedo ou pelo ouvido,  ou, ainda o uso de ritmos semelhantes, super excitantes e duros, levam a um derramamento de hormônios. Se esse tipo de música é consumido regularmente, ocorre uma superprodução de hormônios e, consequentemente, uma oferta demasiadamente grande de energia que, em geral, não pode ser gasta, por falta de exercícios.”

O problema é o hiperconsumo de qualquer tipo de música. O problema maior é a música de consumo industrial. A música com fórmula estampada.

O trabalho com ritmos não precisa estar associado à música. Pode se associar a sons, apenas. A música já é formulário pronto que se deseja repetir sempre se causa prazer. É a situação do prazer imediato e conhecido, sem surpresas. Harmonias e acordes geram ritmos intrínsecos. O que dizer dos acordes e harmonias que surgem espontaneamente no decorrer do barulho dos dias? – Segundo o professor Hauer o que surge daí são a arteriosclerose e os enfartes cardíacos, causados por poluição sonora do meio ambiente.

Os antigos já sabiam, muito antes de nós, que a música pode fazer as pessoas adoecerem ou mesmo enlouquecerem, como mostra o exemplo histórico da destruição das muralhas de Jericó pelo som de trombetas. E, como nos fala Platão, quando afirma que para dominar um povo basta dominar sua música.

No entanto, sobre Jericó, em vez de música o que havia era a vibração dos movimentos das pessoas, em passadas pesadas, caminhando na base da fortaleza; além das trombetas, o peso ritmado das passadas faziam vibrar o chão, pondo a muralha em desequilíbrio, que é bem mais uma questão de física – acústica –  do que música em si.

Diz Agrippa de Nettesheim (1486/1535):

“Saxo Grammaticus (1150/1208) conta em sua História dos Dinamarqueses sobre um músico que se vangloriava de ser capaz de fazer os outros enlouquecerem. O rei ordenou-lhe, então, provar a veracidade de suas declarações, o que ele fez. Começando a tocar música erudita e solene, prosseguiu com melodias mais alegres e vivas que levaram a audiência a fazer gestos e movimentos, até todos perderem totalmente o equilíbrio, dominados por melodias e ritmos cada vez mais empolgantes e loucos”.

Willy Schroeder vai mais longe em seus delírios: – “Existe uma magia satânica dos sons. Já nos tempos mais antigos, a música era apreciada como um instrumento de magia. Tanto os magos brancos quanto seus adversários, os magos negros, utilizaram sons que, numa determinada combinação e ritmo, agiram de acordo com certas leis do ocultismo. O fato de que tenhamos esquecido essas leis não impede que elas tenham aplicação nas aquisições mais modernas da música atonal. Os que praticam essa música estão conscientes de sua influência sobre a alma humana, aplicando, mesmo inconscientemente, o princípio satânico baseado na desorganização dos tons e na desarmonia. O atonal é o imoral da música. Esses sons tinham um lugar importantíssimo nas bacanais, nas orgias e nos rituais do satanismo. Nas missas negras, por exemplo, tocava-se música atonal”.

Essa constante busca de uma ordem – o cosmos – é um equívoco bíblico que vem rondando as gerações. Levaram o equívoco par as órbitas dos planetas e também para a música.

A música, porém, pode exercer tanto uma influência maléfica quanto benéfica sobre homens e animais. Vide Orfeu e vide a sonolência de Caronte.

A terapia musical tem seu valor pela função de atividade ou coletividade e nada mais. Os sons têm efeito, justamente, por sua competência em nos fazer lembrar de coisas boas ou ruins. O resto é poesia.

A música mistifica-se ou mistifica seu autor pelo que tem de complexa e pelo fato de atuar no ambiente em tempo real. Se a física quântica atuasse no ambiente teria o mesmo efeito.

Já entre os árabes e egípcios, o médico era um músico mágico, influenciando corpo e alma com o poder do som. Desde tempos imemoriais a ignorância humana deixa todos á mercê de padres e pastores que desejam dirigir o rebanho para o bem que lhes convém.

Usam muita música para isso.

O livro de Schoemberg pode desmistificar esse entrave basta que o leitor exercite seu título e o leia. De outra forma permanecerá a vítima inocente do poder que a música exerce.

Anúncios

Um pensamento sobre “HARMONIA DE SCHOEMBERG

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s