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COMO FORMA DE APRESENTAÇÃO

CAPA DAIMONmax11

 Título UM CERTO DAIMON CHAMADO BARTHES

 Autor COELHO DE MORAES

 Editora IXTLAN

 Páginas 72

 O  texto de Getúlio Cardoso serve como mídia de apresentação das obras e escritos de Coelho De Moraes.

Diz Getúlio Cardoso

 Não podemos encerrar o caminho da poesia em uma única vertente. Aliás, pouco se conhece desse ofício que  Octavio Paz comparou a bruxaria e ao sortilégio. Essa introdução é necessária para não querer enquadrar Um  Certo Daimon Chamado Barthes numa leitura convencional. Do fazer poético ou comparativo com outras expressões do gênero.


               O texto está entre aqueles que rejeitam qualquer tipo de domesticação. O autor tematiza o amor-crise na sociedade contemporânea. Cria o menestrel moderno cantando para sua amada. É o ruído de um edifício sendo demolido. É um mundo sem o logos como centro ordenador. O versejar vai pelo avesso do pensamento positivista (universalista). Em razão disso não foi à toa que o autor elegeu como herói um estruturalista, Barthes, aquele que veio bater mais forte o martelo na muralha positivista.

               O poema me surpreendeu pela crueza: tudo está para ser construído. Da ejaculação surgem as ruínas da cidade paranoica, bêbada. Lembra Roberto Piva viajando com suas amebas na noite de São Paulo.

               Esse monólogo de Um Certo Daimon é um manifesto contra a repetição de velhos signos, uma sintaxe disfarçada em sorriso burguês. Por outro lado, o autor dialoga com a melhor tradição filosófica e poética, de maneira especial com Nietzsche.

               Parece-nos que mais nada resta a explorar na literatura em nossa época, pois temos a sensação de que tudo já foi feito. “Entretanto, há inúmeros hiatos no painel literário, que permitem outras apostas”, como me disse certa vez o escritor mocoquense Alcino Mikael. É dentro deste contexto que o leitor deve entender o livro de Coelho De Moraes. Pois o modernismo, ainda que esgotado, permite o surgimento de novas vozes. Apesar da terra do modernismo ser a morte do espírito, permite ainda algum deslumbramento como o daimon desta obra.

Um poema da obra

A COMEDORA DE HISTÓRIA

Mulheres subsistem nas letras

Sofrem mesmo assim

um misto de ofuscamento e náusea

Tudo na história que vivem e comem

parece vento / tempestade / enciclopédias

As mulheres que devoram sessenta volumes

em mares de enxaqueca

vivem sobressalto constante

assaz chuva liberta

num incomensurável sopro de intrusa santa

que se alarma nas mudanças tantas

Mulheres domadoras de livros

acreditando sempre que morrem a sério

permanecem imersas em amor alarmante

amad(a)larmante

renascem deliciosas

após tépida noite de fragrâncias

afastando o longo suplício da velhice

começando uma terceira vida

mesclando sexo em vitalidade

a terra / a lama / as águas de minério e o sol

Mulheres arrebatadas

oferecem longos cabelos de doçura

Um corpo rompido  – disponível –

aberto para a coação do trabalho

Fúria insensata do trabalho

Uma funesta declaração de direitos por fato

Horários dracônicos

Sono de Creonte

Pernas abertas de medusa inconclusa

Suave noite sob o veludo carmim dos ardores

e uma ingenuidade no gozo

Buscamos uma tensão de profetas

e não encontramos

No máximo ouvimos o canto vital

de uma tempestade na primavera

Tal é a singularidade das mulheres

vazios fecundados

existência superlativa

devoram o dia todo dia da sua história

O não comer de seus momentos

é morrer violácea e plúmbea

enquanto a noite as chama na esquina

Não se alimentar de seus dias e afazeres

é plantar o nada arquetípico

e esperar doações de garoas lentas

e superar a danosa facilidade das colmeias

Mulheres que se habitam em história

perdem a fraqueza doentia

O corpo todo é o produto de sua criação

e assim

fica  provável que o homem tenha vindo

de sua costela

pois a cintura mais estreita

sugere que perdeu-se ali

a última linha de cartilagens

Mulheres  e simbiose

Moléstias e enxaquecas

Dores e fluidos sanguíneos

nada mais são do que

símbolos de uma sensibilidade excessiva

mas sensibilidade dirigida

como um veneno sagrado

como um objeto a ser doado ao museu

Sacerdotisas

Pitonisas enoveladas em gaze e súlfur

sedentas de ambrosia

morrem elas todas de história

mulheres sacramente ímpias

da mesma forma como não se morre de amor

São elas proprietárias  grandiloquentes da história

Elas bebem demais o sangue negro da vida

e se tornam loucas glorificadas

para um sempre eterno e abundante

É aí que Ahasverus, finalmente se encontra

Coelho é Maestro Compositor, Professor de Filosofia,  Especialista  em Artes Visuais.

Musicista (desde 1974, regência, piano, instrumentos de teclado), Compositor (1980, óperas, musicais, obras para câmara e música sinfônica e trilha sonora), produtor de Cinema Digital (desde 1997 foram produzidos mais de 100 curtas e medias metragens, incluindo participação como ator, diretor e editor), Regente (desde 1984, Coro e orquestra de câmara), Artista Plástico bissexto (algumas exposições, alguns prêmios).

Escreve textos sobre música, crítica literária, ciência política, e outros temas da produção cultural. Produziu e editou jornais, roteiros e peças. Dirige o TPM – Teatro Popular de Mococa ‘Rogério Cardoso’ com mais de 40 montagens, no interior paulista.

Lançados os livros:

UM CERTO DAIMON CHAMADO BARTHES – poética – pela editora IXTLAN

GRADIVA & AS BRUXAS – teatro – pela editora IXTLAN

O VOO DE INDÍGENA –  romance – wattapad on line /  obra em construção

Alguns de seus ítios são:

ARTES CÊNICAS

https://www.facebook.com/TPM.MOCOCA

MUSICA

http://www.jamendo.com/br/artist/coelho.de.moraes

CINEMA

http://www.youtube.com/profile?user=COELHODEMORAESVIDEOS

LITERATURA

https://pt.scribd.com/COELHODEMORAESCDM

Boa semana para todos

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Um pensamento sobre “COMO FORMA DE APRESENTAÇÃO

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