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Resenhas :: Nosferatu

Sendo nada mais nada menos do que filho do King, é claro que Joe Hill só poderia criar uma obra-prima. Não li muitos livros do King para comparar um e outro e na verdade essa nem é a intenção, mas o fato é que o cara aprendeu muito bem a fazer um terror/suspense ao longo dos seus livros.

Título: Nosferatu

Autor: Joe Hill

Editora: Arqueiro

Páginas: 624

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Buscapé

Sinopse: Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem.
Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor.
E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca… e acaba encontrando Charlie.
Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic.
Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.

Tive a chance de ler os outros livros do Hill e ao iniciar a leitura de Nosferatu cheguei a seguinte conclusão: O inicio dos seus livros são monótonos e muitas vezes da vontade de desistir, porém quando o leitor – finalmente – começa a se conectar com a história e seus personagens a leitura acaba fluindo de uma forma que fica até difícil tentar explicar. Ao finalizar a leitura é quase certo que o leitor apenas fique refletindo por vários minutos pensando “noooossa!“.

O livro nos da um panorama da vida da protagonista, Vic. Somos apresentados à sua infância e em como ela descobriu seu misterioso dom de encontrar coisas perdidas e viajar para qualquer lugar usando apenas a sua bicicleta. Passamos por sua adolescência – onde sua vida começou a ficar conturbada – até o momento em que ela decide que quer arrumar uma encrenca e sua bicicleta a leva até Manx, o grande vilão da história.

Manx é um homem velho de aparência feia, sua descrição bate perfeitamente com o próprio Nosferatu (se você nunca viu Nosferatu antes de continuar a leitura da resenha corre para o Google). Ele também possui dons semelhantes ao da Vic, porém ele usa seu carro para atravessar até a Terra do Natal. Durante a leitura muitas coisas ficam implícitas sobre o que Manx faz com as crianças que sequestra, e tudo que se sabe é que essas crianças nunca mais foram vistas.

Quando Vic encontra Manx ela não é mais uma criança, na realidade ela tem 17 anos, e o velho gosta dos mais novos; Ela consegue fugir dele e também coloca-lo na cadeia, e é por isso que após sair tudo o que ele quer é vingança.

Sim, me desculpa. Eu sei que não costumo fazer isso nas minhas resenhas e geralmente não gosto de ler resenhas que são assim, mas o livro é tão grande, tão complexo e cheio de pequenos personagens com suas histórias paralelas que eu senti a necessidade de explicar um pouco do enredo antes de dar continuidade.

Nosforheader

De todos os livros lançados pelo Hill até o momento com certeza esse é o melhor. A forma como ele desenvolveu a história, inserindo personagens ao longo da narrativa que – aparentemente – não serviria para nada, mas que no final acabaram se conectando com todo o resto foi de tirar o folego. O livro é cheio de detalhes, muitas vezes desnecessários, que nos dá uma ideia geral do ambiente e dos acontecimentos. Nós não achamos que os detalhes são importantes até, finalmente, perceber o motivo do autor ter colocado eles ali.

Em alguns momentos durante a leitura me vi indo contra Vic e a favor de Manx. Me vi desacreditando em sua sanidade e questionando se tudo não era apenas fruto da sua cabeça louquinha. Apesar de Vic ser uma ótima personagem, acho que Manx se tornou meu preferido. Hill soube construir um ótimo vilão e não porque ele é pura maldade, vilões assim são apenas vilões e não atraí ninguém. Ele é um ótimo vilão pois suas cenas deixam o leitor cheio de dúvidas sobre a sua maldade, suas cenas deixam o leitor até com pena em alguns momentos, suas cenas nos fazem rir e até ganha nossa simpatia. Manx é o vilão perfeito pois consegue enganar o leitor da mesma forma que engana as criancinhas.

Acho que vale dizer que Nosferatu não é um livro com final surpreendente de cair o queixo. Ao terminar o livro, por um minuto, achei ele bem nonsense, mas quando pensei em todo o contexto da história ele fez todo o sentido.

Nosferatu não é o tipo de livro que te deixa com medo e sim angustiada. É um ótimo livro para sair da zona de conforto, caso não seja fã do gênero. É um ótimo livro para tentar entender um pouco mais de fantasia e loucura. E claro, é um ótimo livro para quem ama o Natal! Afinal, quem é que não gostaria de viver o Natal todos os dias?

Quotes

Sua maior vontade era correr para a porta e dizer ao garoto que voltaria com a polícia. Mas ela não podia ir embora. Se fizesse isso, não estaria deixando para trás apenas uma criança raptada. Estaria abandonando também a melhor parte de si mesma.

Se os olhos eram as janelas da alma, os do Homem da Máscara de Gás proporcionaram a visão de um vazio profundo.

Todo mundo vive em dois mundos, não é? Tem o mundo físico… mas tem também nossos próprios mundos particulares, internos, o mundo de nossos pensamentos. Um mundo que não é feito de coisas, mas de ideias. É tão real quanto o outro, mas fica dentro da gente. É uma paisagem interior.

Isso parecia uma alucinação, mas só até você lembrar que as pessoas viviam transformando o imaginário em real: pegavam uma música que inventavam e gravavam, visualizavam uma casa e a construíam. A fantasia era sempre uma realidade esperando ser ativada, só isso.

 

Joseph Hillstrom King mais conhecido como Joe Hill é um escritor estadunidense de livros do gênero de ficção. É filho do também escritor Stephen King. Seu nome foi escolhido como uma forma de homenagem ao anarquista sueco Joe Hill. Em 2007, lançou um livro de terror, intitulado no Brasil de A Estrada da Noite.

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7 pensamentos sobre “Resenhas :: Nosferatu

  1. Pingback: Os favoritos de 2015 da Sil | Cantar em Verso

  2. Oi, Sil!
    Nossa, fiquei muito curioso sobre o que acontece com essas crianças desaparecidas. Você comentou que o início do livro é meio parado, achei a cara dos livros do King. O Iluminado precisa de meio livro para ficar incrível. Adorei sua resenha
    Abraços

  3. Nunca li nada do autor mas adoro o gênero terror/suspense e fiquei ainda mais interessada quando você disse que a leitura era angustiante. Ainda não conhecia Nosferatu e precisei correr no google para ver do que se tratava, me deparando com esse personagem de aparência um tanto perturbadora.
    Adorei a dica.

    Bjs, Glaucia.
    http://www.maisquelivros.com

  4. Achei legal que os personagens e os detalhes aparentemente desnecessários acabam mostrando o motivo de estarem presentes na narrativa. Você disse que o livro é do tipo que não deixa a gente com medo e sim angustiada, mas lá no início disse que o autor aprendeu a fazer um terror/suspense nos livros dele, então não acho que eu vá ter coragem de ler, odeio terror. Prefiro não me arriscar… rs…

    Beijo!

    Ju – Entre Palcos e Livros

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