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Cinema :: Cinquenta Tons de Cinza

A adaptação do livro de E. L. James para o cinema foi um dos assuntos mais comentados no inicio de 2015. Há aqueles que gostaram, porém há mais ainda aqueles que fervorosamente odiaram  e não deixaram de expor suas preocupações sobre a influencia que o filme poderia trazer a “juventude pouco instruída”. Grupos religiosos, psiquiatras, feministas, diferentes fontes divulgaram suas impressões sobre o filme no objetivo de desestimular a ida das pessoas ao cinema. Apesar disso o filme Cinquenta Tons de Cinza teve uma das maiores arrecadações da história, levando milhares de pessoas as salas de cinema do mundo inteiro.

Meu objetivo com essa crítica não é incentivar, nem muito menos desencoraja qualquer pessoa a ler ou a assistir Cinquenta Tons de Cinza – afinal eu entendo os motivos para alguém gostar ou odiar essa obra, pois eu bebo das duas fontes. Eu pretendo nessa postagem exprimir minha opinião não só pela adaptação para o cinema, mas também sobre o conteúdo que li nas páginas escritas por E. L. James. Acima de tudo quero deixar claro que essa é a minha opinião, não é uma verdade absoluta; logo se a sua avaliação for diferente tudo que eu tenho a fazer é respeitar isso, assim como eu espero ter a minha opinião respeitada também.

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Eu li o livro Cinquenta Tons de Cinza um pouco antes de ele ser lançado no Brasil – ele era o tão famoso Fifty Shades Of Grey que estava enlouquecendo o mundo literário e poucos pessoas falavam sobre ele por aqui. Eu achei uma leitura fraca e irrelevante, porém eu posso dizer que gostei da estória em alguns momentos. O livro Cinquenta Tons de Cinza é uma mistura dos gêneros YA (jovem/adulto) e erótico – entretanto, as cenas “eróticas” desse livro mais se assemelham aquelas produzidas nos filmes pornos. São cenas de sexo detalhadas, que se concentram quase que unicamente em descrever o ato sexual, porém a autora ligou esse elemento aos pensamentos e sentimentos da protagonista, trazendo algo mais “romântico” a narrativa. Portanto, se eu pudesse classificar esse livro séria como um porno literário  para mulheres.
Assim como o livro, a estória do filme Cinquenta Tons de Cinza mais se aproxima ao gênero de comédia romântica – resumindo, uma mocinha que conhece um homem perverso e por amor o transforma em um cavalheiro de armadura brilhante.  Algumas pessoas podem me criticar agora e achar que estou exagerando nessa comparação, mas peço que reflita o numero de comédias românticas que se utilizaram dessa mesma premissa da garota virgem e do homem que é transformado por amor a ela. O único diferencial de Cinquenta Tons de Cinza para os outros filmes desse gênero é que nele é incluído o sexo de forma não convencional, logo inaceitável para a nossa sociedade.
Uma das várias críticas que há sobre Cinquenta Tons de Cinza, tanto em relação ao livro como o filme, é o fato de ele ser machista e trazer uma péssima imagem de uma personagem feminina, além de influenciar de forma negativa as mulheres. Eu concordo com essa critica, a protagonista Anastasia Steele não é um modelo a ser seguido, sua vida se resume a girar em volta do protagonista Christian Grey e satisfazer as necessidades dele em detrimento das próprias. Porém, filmes machistas saem nos cartazes todos os anos, entretanto eu não vejo um número significativo de pessoas tentando fazer com que esses filmes não cheguem aos cinemas. Então, isso me faz refletir se é realmente o machismo o alvo que  mais incomoda as pessoas que criticam Cinquenta Tons de Cinza.
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Apesar dos vários defeitos na estória de E. L. James, eu posso dizer que gostei do filme Cinquenta Tons de Cinza, ele é bem dirigido pela Sam Taylor-Johson, ela é uma diretora competente e fiquei impressionada em vários momentos pela produção técnica do filme – dando ênfase a fotografia que está maravilhosa. E outro ponto positivo é a atuação da Dakota Johnson, ela me impressionou muito, é perceptível o esforço dela em trazer algo de interessante em uma personagem tão medíocre como é a Anastasia Steele.  Eu não gostei da atuação de Jamie Dornan, eu gostei de algumas de suas atuações anteriores, porém eu acho que ele caiu no mesmo problema de, por exemplo, Robert Pattinson em Crepúsculo – ele tentou trazer um Christian Grey misterioso e atraente, mas parecia que ele estava extremamente desconfortável com o personagem e deixou toda a atuação entendiante.
O maior defeito desse filme é o roteiro, porém eu não esperava algo muito diferente, afinal a fonte dele vem do livro escrito pela E. L. James e ela não é a melhor escritora do mundo. Porém, é evidente que os demais produtores do filme trouxeram um pouco mais de percepção a estória, teve momentos em que eu pensava “nossa, é legal o que ele estão trazendo aqui.” e era exatamente uma situação diferente da apresentada durante livro – nesse caso o filme superou o livro em diversas categorias. Eu li uma noticia recentemente que a autora e a diretora tiveram diversos desentendimentos durante a produção do filme, pois cada uma tinha uma visão diferente de como retratar a estória na tela, portanto eu acredito que isso exemplifica bem o fato de o filme ter se distanciado em alguns aspectos do livro.
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Cinquenta Tons de Cinza é um filme criado para o entretenimento do público jovem – os protagonistas, apesar de terem mais de 20 anos, tem comportamentos quase que de adolescentes. Eles são intensos, dramáticos, absurdos e são exatamente esses elementos que atraem tanto o público. Eles são loucamente apaixonados um pelo outro, o que torna toda a relação algo doentio – um precisa desesperadamente do outro para conseguir viver. Eu acho que já ouvi algo assim em outros livros e filmes. 
Algo em que as pessoas devem ter em mente antes de assistirem esse filme é: essa estória só funciona na ficção! Christian Grey e Anastasia Steele são o típico casal romântico que a muito tempo nasceu na literatura – em um tempo onde a mulher era a propriedade legitima de um homem e objeto secundário de uma narrativa. Há aqueles que defendem que Anastasia é o símbolo da libertação sexual feminina, porém essa não é a minha opinião. Anastasia é a mulher perfeita ficcional, pura, intocada e objeto de prazer para um único homem – o escolhido príncipe em um helicóptero branco. Logo, não há nada de muito impressionante sobre Cinquenta Tons de Cinza, é o tradicional sendo repetido mais uma vez, só que com uma roupagem diferente.
Ana
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14 pensamentos sobre “Cinema :: Cinquenta Tons de Cinza

  1. Oi Ana,

    Sua crítica foi muito boa, não li nenhum crítica que defendesse a verdadeira estória que se é retratada nas telonas e nas páginas dos livros, bom tenho uma amiga mega fã e de tanto ela falar eu tenho sim vontade de ler, mas ainda não sei quando irei fazer a leitura, e como sempre eu só vou assistir ao filme logo após ler o livro, então tenho muito tempo para mudar de idéia, tipo saber que o Jamie é como o Robert em Crepúsculo já me deu uma certa vontade de não assistir ao filme, mas não julgue um filme pelo seu ator e sim por sua história.

    Mayla

  2. Olá… tudo bem??
    Entendi perfeitamente a sua crítica… aliás foi a mais sincera que li até agora… que soube ver e dosar os prós e contras. Eu não gostei muito do filme… e nem da atuação da atriz que fez a Ana… e gostei muito do empenho do ator que fez o Gray, apesar de perceber que ele se esforçou imensamente para este papel…. eu li a trilogia e gostei da história… pra mim foi mais um romance… e não achei nada de pornô literário para mulheres… porque se pararmos para observar livros com esse tema hot já existia a bastante tempo, mas o bum veio com 50 tons… então criou diversas opiniões… não são todos os livros hot que leio… mas sinceramente falando… cada leitor tem mesmo a sua opinião… e seus gostos… ele não é melhor e nem pior do que outro leitor por isso. Eu gostei, mas tem quem não gostou… faz parte… Xero!

  3. Oi Ana, acho bacana a forma como expôs sua opinião e respeito isso. Concordo em alguns aspectos com você mas não em tudo. Na minha opinião o livro tem conteúdo sim e não vejo machismo ali, mas a verdade é que cada um tem um olhar diferente, seja em Cinquenta Tons, ou em qualquer outro filme ou livro.

    Bjs, Glaucia.
    http://www.maisquelivros.com

  4. sinceramente? eu não vejo o lance do machismo, afinal existe mulher com personalidade assim e o povo agora vê defeito em tudo, e acha que tudo é errado.
    olha que nem sou fã da trilogia, mas acho que o pessoal exagera um pouco.
    no mais o filme é legalzinho e foi bem adaptado considerando que seguiu o livro “certinho”

  5. Oi, Ana, tudo bem?
    Eu concordo com sua crítica em muitos aspectos, principalmente quando você diz que a história é tradicional, só que com uma roupagem diferente. Poucas pessoas notam isso e ficam bancando os puritanos, né?!
    Confesso que gostei bastante da atuação de ambos (embora o Jamie tenha cara de louco, não de sexy e misterioso…), mas o filme me deixou entediada na maior parte do tempo…

    Parabéns pela créitica!

    Beijos,
    Amanda
    http://minhasconfissoesfemininas.blogspot.com.br/

  6. Oi Ana, sua linda, tudo bem?
    Você disse uma coisa que me deixou intrigada e nunca pensei nisso antes. Porque estão falando tanto desse e não fizeram o mesmo com os que vieram antes? Eu continuo achando que criar polêmica é uma jogada de mestre, traz publicidade, traz curiosidade, vende livros. Será que não foi esse o objetivo? E não li os livros, mas vi o filme. Não tenho como comparar os dois e de tanto ler críticas, acho que qualquer coisa que eu falar não terá muito fundamento, risos…Vocês sabem do que estão falando, eu não.
    Gostei muito do seu texto, da forma como você se posicionou. Falou do assunto, dos dois lados e deu o seu sem ofender ninguém. Arrasou!!!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

  7. Ai, socorro! Eu nunca quis ler esse livro, aí você vem e o classifica como um pornô literário para mulheres… tipo que estou muito tentada a me livrar da trilogia que está na minha estante o mais rápido possível, só tenho porque uma prima apaixonada pela história me fez comprar. Mas que bom que gostou do filme, e que as diferenças entre ele e o livro o tornaram mais interessante. Mesmo assim, não pretendo assistir.

    Beijo!

    Ju – Entre Palcos e Livros

  8. Apesar do livro estar classificado para o público adulto, ele é bem juvenil no quesito romance. Acredito que seja por isso que o público adulto critique tanto a narrativa de E L James.essa é a melhor crítica que li até agora sobre o filme, por que se aproxima muito daquilo que eu mesma acho dele. Concordo na maioria dos pontos com o q vc disse,

    *_*

  9. Oi, Flor! Tudo bom?
    Eu entendo a preocupação dos especialistas com relação a influência que o filme pode causar, e fiquei chocada pela classificação no Brasil ter sido tão baixa. Li que em outros países as classificação é 21, e aqui 16, achei isso muito errado. Com relação as opiniões, achei que teve muitas pessoas que extrapolaram, foram desrespeitosas e no meu ver isso é errado. Sempre que não gosto de algo que a maioria gosto, sempre tento expressar minha opinião da melhor maneira possível, ou as vezes, prefiro nem falar.
    Li todos os livros da autora, e como eu sempre digo, o primeiro livro é para introduzir o leitor na história, então costuma ser o que o pessoal menos gosta. Sim, chega em um momento que as cenas de sexo ficam cansativas, é basicamente o que só ocorre nesse primeiro volume, sexo. Tudo melhora a partir do segundo, isso posso garantir, e o último até mesmo me emocionou, com algumas revelações sobre Christian. Com relação ao filme, achei a escolha da atriz perfeita, pois no livro, ela é uma pessoa insegura, até mesmo sem sal, vamos dizer, mas para Christian, existia opções melhores. Como você disse, é beber das duas fontes, pois é uma história e produção de filme que ao mesmo tempo agradar não agrada mais, então é algo meio termo certo?

    Beijinhos

  10. Oi Ana, tudo bem?
    Gostei bastante dos pontos que você destacou em sua crítica. Li apenas o primeiro livro da trilogia, e apesar de ter gostado (esse tipo de literatura ainda não era muito conhecida por mim), eu me decepcionei em alguns momentos. Achei a estória um pouco fraca e algumas partes pareciam estar ‘soltas’ no meio do enredo. No entanto, estava com grandes expectativas sobre o filme, queria saber se tudo seria retratado nos mínimos detalhes ou se estaria melhor. Não curti muito a atriz que interpretou a Anastasia, mas fiquei apaixonada pelo rapaz que fez o Sr. Grey. Também tive a impressão de que ele era uma versão melhorada do Edward >< Não sei se você já ouviu essa história, mas parece que 50 tons surgiu de uma fanfic de Crepúsculo e por isso encontramos algumas ~semelhanças~
    Concordo com você sobre todo ano serem lançados filmes machistas e coisas assim, e 50 tons se enquadraria perfeitamente em uma comédia romântica.

    Parabéns por sua crítica!

    Beijos
    http://www.procurei-em-sonhos.com

    • Olá!! Muito obrigada pelo comentário. Sim, eu já sabia que esse livro era uma fanfic de Crepúsculo, eu deveria ter comentado sobre ele na postagem, mas acabei esquecendo. Na minha adolescência eu era fâ da saga Crepúsculo e foi esse o motivo que me fez procurar Cinquenta Tons de Cinza. Porém a autora E L James mais me decepcionou do que surpreendeu, deveria ter ficado apenas como fanfic da internet.

  11. Oi Ana!
    essa é a melhor crítica que li até agora sobre o filme, por que se aproxima muito daquilo que eu mesma acho dele. Concordo na maioria dos pontos com o q vc disse, só não gosto do Jamie como ator, aliás, não conheço o trabalho anterior dele, e achei q ele não soube dar vida ao personagem. Mas não vamos querer perfeição não é mesmo? rsrs. Como vc disse, temos q levar em consideração a origem de td isso, q foi o livro de James. Admiro (e até invejo um pouco) a sorte q ela teve com essa obra, q não é nem de longe a melhor de todos os tempos nos gêneros YA ou erótico, mas tem seu valor, e deu a ela uma quantia em dinheiro que a deixará tranquila por muito tempo. Como dizem, só se precisa acertar uma vez, e ela acertou com esses livros, caindo nas graças das mulheres do mundo todo, criando um príncipe encantado digno de povoar nossos sonhos mais secretos. A parte da violência contra a mulher que tanto se comenta por ai, para mim, é irrelevante, e chega a ser intriga da oposição: polêmica feita por aqueles que não conhecem a obra e querem pegar carona no sucesso de outrem para aparecer. Gosto muito da trilogia, mas, infelizmente, não gostei do filme, e até acho desnecessário produzirem sua continuação, mas o que importa minha humilde opinião quando estão arrecadando rios de dinheiro com essa adaptação?
    Parabéns pela crítica bem feita e bem embasada, que só poderia vir de alguém que leu o livro e conhece bem a obra.
    Bjos!

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