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Resenhas :: A Arma Escarlate

Tive a oportunidade de conhecer a Renata Ventura na VI Bienal Internacional do Livro em Alagoas, no final de 2013 e comprei A Arma Escarlate imediatamente. Confesso que quando iniciei a leitura tinha a ambição de que ele me transportasse mais uma vez pelo universo mágico de Harry Potter. No entanto, foi grande a minha surpresa quando já nas primeiras páginas eu percebi que estava completamente errada – as diferenças da obra de Renata Ventura para os escritos de J.K. Rowling são perceptíveis. E se no começo isso me causou alguma estranheza, não durou até o final do livro.

  Título: A Arma Escarlate

  Autor: Renata Ventura

  Editora: Novo Século

  Páginas: 488

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Submarino/Saraiva

 

 

Sinopse: O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo. Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que está ameaçando sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo.

As similaridades entre as estórias de Renata Ventura e J.K. Rowling, autora de Harry Potter,  são visíveis desde as primeiras páginas – partindo do fato de que a autora de A Arma Escarlate se inspirou no universo criado por Rowling para escrever a estória de um garoto tão injustiçado e violentado quanto Harry. Apesar de alguns caracterizarem este livro como uma fanfiction de Harry Potter, eu não acredito que seja o termo correto para se descrever a obra de Renata Ventura. Tanto a narrativa quanto o enredo são originais e se torna impossível não se identificar com os personagens, já que suas estórias refletem muito bem a realidade do povo brasileiro.

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Arquivo Pessoal

Idá Aláàfin é um garoto brasileiro, que nasceu e cresceu em um ambiente envolvido entre o crime e o trafico de drogas – órfã de pai e sem perspectivas futuras de uma vida melhor, Idá finalmente decide seguir os passos do que seria seu destino inevitável, afinal a vida de bandido era a única opção para um menino criado na favela. Porém, após completar 13 anos, Idá recebe uma carta com a noticia de que ele foi aceito na escola de bruxaria do Rio de Janeiro. Algo incomum, que deixa Idá ao mesmo tempo desconfiado e maravilhado com a possibilidade de fugir da sua própria realidade. Por essa razão, Ida decide deixar tudo para trás, sua história, sua família e até mesmo seu nome. Adotando a identidade de Hugo Escarlate ele será capaz de alterar não só a si mesmo, mas como todo o seu futuro.

Tentando manter-se de pé durante a íngreme descida, foi ganhando cortes e arranhões pelo caminho, mas aquilo pouco importava. Seriam apenas algumas cicatrizes a mais em sua vasta coleção. O certo era que precisava sair o mais depressa possível daquele lugar. Já tinha arrajado inimigos demais para uma noite. Se aquela carta fosse falsa, estaria mais do que ferrado. Estaria morto.

Hugo foi para mim um “anti-herói” inesperado – colocando o termo entre aspas porque não tenho ainda certeza se devo considera-lo dessa forma – sua personalidade não é agradável e suas ações não são nada nobre. É um garoto de temperamento difícil e confesso que estava longe de gostar dele no inicio da leitura, porém acredito que tive essa impressão por em vários momentos ter comparado seu comportamento ao de Harry Potter. Diferente de Rowling, Renata Ventura não tenta trazer um protagonista heroico e altruísta – Hugo é um personagem que acima de tudo se importa em se dá bem na vida, egoísta e malandro, ele reflete a realidade de um garoto que precisou desde sempre lutar pela sobrevivência.

O primeiro passo era parecer confiante. Um menino de 13 anos, sozinho, na Lapa, numa hora daquelas, assustado e mancando, não era boa coisa. Isso ele aprendera desde cedo: parecer um alvo fácil era o primeiro passo para se tornar um alvo fácil.

A estória de A Arma Escarlate é situada no estado do Rio de Janeiro, apesar de não ter conhecido nenhum dos pontos turísticos destacados durante a leitura, isso não me deixou em nenhum momento perdida no ambiente descrito. Os lugares são muito bem retratados, e a autora se dedicou em retratar os cenários do Rio de Janeiro de uma maneira que qualquer leitor, de qualquer lugar o país, possa entender e por si mesmo imaginar o ambiente.
Algo que me surpreendeu/maravilhou foi a diversidade brasileira retratada nesse livro. Os personagens tem diferentes raças, nacionalidades e crenças religiosas, assim como diferentes orientações sexuais. A autora conseguiu trazer de maneira adequada todos eles, apesar de superficial, foi algo interessante e divertido, que deu bastante certo. Dos personagens secundários quero dar enfase aos Pixies, eles são quase uma obra de arte – inspirações a serem seguidas e amadas.
O enredo é original, as abordagens retratadas são comuns a realidade brasileira, o nosso folclore é passado de uma maneira descente, assim como a nossa história e cultura.  Renata Ventura fez um ótimo trabalho com A Arma Escarlate e estou muito feliz por ter desvendado os mistérios do Corcovado.

Renata Ventura Leitora voraz desde a infância, Renata Pacheco Ventura sempre quis ser escritora.JamieMcGuire ascida no Rio de Janeiro, em 1985, trabalhou por três anos fazendo pesquisa e roteiro para cinema documentário antes de decidir se dedicar exclusivamente a seu primeiro livro. Nesse meio tempo, implementou uma forma de interação com seus leitores, em que eles podem conversar virtualmente com alguns dos personagens do livro através de redes sociais; fazendo-lhes perguntas, batendo um papo descompromissado ou até mesmo tentando descobrir segredos da trama do livro.Seu objetivo como escritora é contar histórias que divirtam e, ao mesmo tempo, façam o leitor refletir sobre si mesmo e sobre o mundo à sua volta…Ana

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11 pensamentos sobre “Resenhas :: A Arma Escarlate

  1. Oi, Ana! Eu comecei a ler e não consegui evoluir porque os diálogos eram em aspas e escritos conforme o linguajar da favela, do jeito que a pessoa fala. Agonia define! Acho que não dá pra considerar fanfic porque é diferente e a própria JK “autorizou” a utilização da ideia. E a Renata tem feito bastante sucesso com esse livro.
    Beijinhos!
    Giulia – http://www.prazermechamolivro.com

  2. Não tinha a menor ideia de que ela tinha se inspirado em Harry Potter para escrever o livro! Fiquei curiosa para ver o resultado. Adorei saber que ela retratou o Rio bem, porque também não conheço os pontos turísticos, e adorei mais ainda ela ter mostrado a diversidade brasileira de uma forma tão legal. Quero ler!

    Beijo!

    Ju – Entre Palcos e Livros

  3. Tenho curiosidade com está série, principalmente por saber que ele foi inspirado em Harry Potter. Apesar de você não dizer, sei que a linguagem é muito coloquial e isso me deixa muito insegura com a leitura. Gostei de saber o quão bem o RJ é descrito. Eu nunca li nada ambientado na minha cidade, então fico bem curiosa hahaha

    Espero que você possa gostar da continuação tambem.
    Beijiinhos ;*
    Andressa – Blog Mais que Livros

  4. Oi Ana, sua linda, tudo bem?
    Eu já li uma resenha desse livro antes. Sou mega fã de carteirinha de Harry Potter, então, falou no nome dele, eu paro tudo, risos…. Que bom saber que a autora apenas se baseou e trouxe algo totalmente diferente e retratou a nossa realidade. Criar um bruxinho malvado é diferente, gostei disso. Agora fiquei curiosa para ver como ela abordou nosso folclore dentro dessa história. Não vejo a hora de ler esse livro.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

  5. Olá Ana, tudo bem??
    Eu não curto muitas comparações… mesmo que um livro se assemelhe a outro… mas enfim… sempre tem aqueles que são evidentemente semelhantes… eu não tenho vontade de ler este livro, mas um ponto super positivo para a autora foi a ambientação… até porque a história em si se parece mais com o estrangeiro e autora trouxe para cá a magia… isso foi bem legal… que bom que gostou da história… Xero!

  6. Olá!!

    EU não conhecia o livro e achei interessante essa comparação com HP, não li os livros deles então pra mim não seria um problema, ams para fãs acho que essa comparação seria ruim né? Porque acaba tendo uma comparação muito grande e uma expectativa maior ainda.
    Acho maravilhoso essa ambientação ser aqui no Brasil, mas não curti o nome dele, porque não um nome normal ahahahaha

    Beijinhos,
    http://www.entrechocolatesemusicas.com

  7. Confesso que as semelhanças me deixaram com um pé atrás e isso é bom, me induz a ler e tirar minhas próprias conclusões. Eu não conhecia o título, vai ser interessante experimentar algo novo-velho.

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