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Resenhas :: No Escuro

Quem é que nunca viu No Escuro no Submarino com aquele precinho beeeem camarada e não ficou com o dedo coçando para comprar? Faça isso!

Título: No Escuro

Autor: Elizabeth Haynes

Editora: Intrínseca

Páginas: 333

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Buscapé

Sinopse: Catherine aproveitou a vida de solteira por tempo suficiente para reconhecer um excelente partido quando o encontra: lindo, carismático, espontâneo… Lee parece bom demais para ser verdade. Suas amigas concordam plenamente e, uma por uma, todas se deixam conquistar por ele. Com o tempo, porém, o homem louro de olhos azuis, que parece o sonho de qualquer mulher, revela-se extremamente controlador e faz com que Catherine se sinta isolada. Amedrontada pelo jeito cada vez mais estranho de Lee, Catherine tenta terminar o relacionamento, mas, ao pedir ajuda aos amigos, descobre que ninguém acredita nela. Sentindo-se no escuro, ela planeja meticulosamente como escapar dele.

Quatro anos mais tarde, Lee está na prisão e Catherine, agora Cathy, tenta reconstruir a vida em outra cidade. Apesar de seu corpo estar curado, ela tornou-se uma pessoa bastante diferente. Obsessivo-compulsiva, vive com medo e insegura. Seu novo vizinho, Stuart Richardson, a incentiva a enfrentar seus temores. Com sua ajuda, Cathy começar a acreditar que ainda exista a chance de uma vida normal. Até que um telefonema inesperado muda tudo.

O livro nos leva para dois períodos diferentes da vida de Cathy. O primeiro lá por volta de 2003/2004, quando ela é jovem, solteira, baladeira, cheia de vida e que não dispensa uma boa bebida e um bom sexo – nem sempre é bom, mas enfim – até o momento em que ela conhece o homem aparentemente perfeito. Na segunda fase (2007) somos apresentados a atual vida de Cathy. Agora ela é uma mulher que qualquer um classificaria como louca, mas que apenas esconde medos. Obviamente ela sofreu um grande trauma e isso deixou cicatrizes, tanto fisicamente como psicologicamente. Por diversos momentos ela narra suas crises de pânico e seu TOC; No inicio é bem chato, pois ela explica detalhadamente todo o processo de verificação das portas e janelas de sua casa. Mas esses detalhes só reforçam a ideia de que ela realmente passou por maus bocados. É também nesse período que ela conhece Stuart, um psicologo (que conveniente) que que se muda para o mesmo prédio em que ela mora. Eles se tornam grandes amigos e ele também tenta ajuda-la, indicando médicos e centros de apoio para quem sofre do mesmo mal que Cathy.

A leitura, de modo geral, me prendeu do inicio ao fim. Por diversos momentos ao longo do dia eu ficava coçando a mão para pegar o livro e terminar logo de ler, mesmo tendo que fazer outras coisas. A autora soube criar um mistério incrível ao narrar os acontecimentos do relacionamento de Cathy (antes Catherine) e Lee; Apesar de eu achar que ela poderia ter enganado o leitor em relação ao Lee, mas de qualquer maneira em alguns momentos eu fiquei em duvida quanto a veracidade dos fatos narrados por ela e não por achar que a narradora não seja confiável, mas simplesmente por esperar algo mais da história… Algo mais Garota Exemplar (comparação barata e idiota, mas é que me veio na cabeça).
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Foto: Silviane Casemiro | Cantar em Verso

Bom, teve alguns pontos específicos que me incomodaram na história. São pontos que eu coloco aqui de forma totalmente pessoal. Eu nunca tive um relacionamento abusivo level hard igual da Cathy, portanto para mim fica incompreensível entender como ela deixou chegar a aquele ponto, mesmo notando os sinais desde o começo e tendo a oportunidade de cair fora antes que fosse tarde demais. Eu sei – bom, eu imagino – o quanto deve ser difícil estar em um relacionamento assim e ela expressou bem isso, mas eu só passei a compreender melhor a partir do momento em que não tinha mais volta. Eu acredito que é sim possível sair de um relacionamento abusivo antes que ele se torne, de fato, abusivo. Posso estar errada? Com certeza. Como eu disse eu nunca tive essa experiencia, não desta forma pelo menos – já que nem todos os companheiros abusivos são level Lee, convenhamos. Ps: Não quero dizer em nenhum momento aqui que a culpa seja da Cathy ou algo semelhante, mas sim que foi incompreensível para mim entender de acordo com a narração dela.

Cathy não tem família, portanto a única coisa que lhe resta na vida são as amigas. E aí eu me perguntava: Que tipo de amigas são essas que não acreditam quando você diz que algo errado esta acontecendo? Que tipo de amiga te julga e te repreende quando você tenta contar o que está acontecendo? Quer dizer, se eu tiver amigas assim então eu prefiro muito mais continuar sem amigas, obrigada. De nada. Tudo bem que Lee tem aquele baita charme, mas acho que é essencial mostrar para sua amiga que você acredita nela e quer ajuda-la mesmo achando que ela está ficando louca.

Se você é o tipo de leitora fraca para relatos fortes aconselho a se preparar para essa leitura. Os momentos em que Cathy finalmente se abre para Stuart e conta diversas coisas que Lee fez com ela me deixou agonizada. Pior ainda quando, lá em 2004, ela narra em tempo real as coisas que estão lhe acontecendo. São momentos de tortura e desespero, tanto para a personagem como para nós. Independente disso, no geral, o livro é bem tenso e a cada capítulo tem um gosto de quero mais.
Eu precisava aprender a não agir como uma vitima dessa vez – de mim mesma ou de qualquer outra pessoa. Eu precisava de força, para lidar com as coisas ruins que a vida nos oferece. Precisava recuperar o controle.
Em se tratanto de um dia para morrer, o mais longo do ano era tão bom quanto qualquer outro.
Elizabeth Haynes começou a escrever desde pequena nos parquinhos, Haynes ganhou uma máquina de escrever de segunda mão quando tinha 13 anos que deveria ser portátil, mas pesava demais passando todos os fins se semana chuvosos em casa escrevendo. Em 2005 um amigo a apresentou ao National Novel Writing Month um concurso de 50 mil palavras. Em 2006 ela escreveu, mas acabou passando do limite e não concorrendo. Em 2008 começou a escrever sua primeira história e acabou mostrando a amigos que passou para frente e assim teve seu primeiro livro publicado. É graduada em alemão e arte na Leicester University e seus livros são fortemente influenciados por seu trabalho como analista criminal na polícia de Kent onde mora atualmente.

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