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Resenhas :: A Filha do Louco

Olá, pessoal! Hoje vou fazer a resenha de uma releitura (será que pode ser chamado de releitura?) de A Ilha do dr. Moreau, de H. G. Wells.

Título: A Filha do Louco

Autor: Megan Shepherd

Editora: Novo Conceito

Páginas: 414

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Buscapé

Sinopse: Juliet Moreau construiu sua vida em Londres trabalhando como arrumadeira – e tentando se esquecer do escândalo que arruinou sua reputação e a de sua mãe, afinal ninguém conseguira provar que seu pai, o Dr. Moreau, fora realmente o autor daquelas sinistras experiências envolvendo seres humanos e animais. De qualquer forma, seu pai e sua mãe estavam mortos agora, portanto, os boatos e as intrigas da sociedade londrina não poderiam mais afetá- la… Mas, então, ela descobre que o Dr. Moreau continua vivo, exilado em uma remota ilha tropical e, provavelmente, fazendo suas trágicas experiências. Acompanhada por Montgomery, o belo e jovem assistente do cirurgião, e Edward, um enigmático náufrago, Juliet viaja até a ilha para descobrir até onde são verdadeiras as acusações que apontam para sua família.

É muito ruim resenhar um livro que seja uma releitura de outra obra sem ter lido a original primeiro. Falo isso pois até metade do livro que nem fazia ideia dessa informação (sim, e tem na orelha do livro ¬¬). Claro, eu raramente leio sinopses e orelhas dos livros, e quando faço é apenas quando termino de ler. Desta vez resolvi ler pois estava achando tudo tão chato e arrastado que precisei de alguma informação para continuar a leitura (percebam como, às vezes, as orelhas trás algum spoiler). Fiquei de boca aberta quando descobri que será uma trilogia (PRA QUE??) mas acho que não vou me dar ao trabalho de ler quando a editora lançar.

Okay, okay! Parei com minha sessão do descarrego de raiva desnecessária e vou para a resenha.

Foto 1

Juliet tem dezesseis anos, mora em uma pensão para moças em Londres e trabalha como faxineira no hospital. Sua família sofreu por um escândalo horrível quando certas atrocidades que seu pai, médico, fazia foram reveladas. Após o abandono do pai sua mãe, sem opções, acabou se tornando uma prostituta e morreu alguns anos mais tarde.

Nada me incomodou nas primeiras páginas se tratando da personagem, pelo contrário. Eu realmente fiquei imaginando como seria para uma adolescente viver sozinha no século XIX e ter que aguentar o que ela estava aguentando, em relação ao seu trabalho, desprezo da sociedade e as investidas de um médico nojento; E me admirou muito a sua coragem e personalidade, sempre mostrando que sabe o que quer.

Infelizmente isso não durou muito tempo.

Eu sabia lidar com a crueldade, não com a gentileza.

Tão logo que reencontrou Montgomery, o filho da ex-criada de sua família e amigo de infância que ela não via há uns seis anos, Juliet decide abandonar tudo para ir atrás de explicações sobre seu pai. Veja bem, Montgomery era órfão quando o escândalo aconteceu e acabou fugindo com o Doutor (este que considerava o garoto como um filho).
Foi aí que os problemas começaram. Parece que a partir do momento que Juliet se viu em uma situação onde exigiria mais maturidade ela se mostrou infantil. Não sei se foi por que ela ficou na expectativa de rever o seu pai e que teria seu amor, carinho e etc etc. Não sou psicóloga e não entendo nada do assunto, o máximo que eu cheguei perto de psicologia foi a segunda fase de um bom vestibular aqui em SP (poxa, galera, pra que lista de espera?), mas eu acho que deve ter alguma relação com a sua idade de abandono. Juliet amava seu pai, como toda garotinha de dez anos ama um pai e se viu abandonada tão cedo e sofrendo coisas que nenhuma garota deveria sofrer ao longo de seis anos, então eu penso que ao saber que o reencontraria sua mente voltou a aquela idade, entenderam mais ou menos o que eu quis dizer?

“A Ilha do Dr. Moreau”, H.G. Wells.

Bom, então lá foram eles para a ilha. Como eu disse não li o livro que inspirou este, então não sei os detalhes (eu não li resumo para fazer essa resenha pois pretendo ler A Ilha do Dr. Moreau ainda este mês), mas gente do céu me diz uma coisa: O Dr tá exilado em uma ilha que fica próximo da Austrália e todas as as provisões Montgomery busca na Inglaterra. Como assim? Não tem coisas na Austrália, meu filho? Ou sua arrogância é tão grande que precisa ser tudo de Londres?

Durante a viagem um naufrago (Edward) é resgatado pelo navio em que Juliet e Montgomery estão e ao ver Juliet ele se… Encanta, instantaneamente. E pronto, eis que temos um triângulo amoroso que foi se arrastando com dramas e mais dramas, e momentos de tensão e desejo durante toooodo o livro. Eu poderia dizer que esse triângulo teve um péssimo final, mas como eu disse é uma trilogia então apesar dos acontecimentos do livro #1 muita coisa ainda pode mudar. Só que faço questão de dizer que odiei o final do triângulo nesse primeiro livro.
Fiquei muito curiosa para conhecer o Doutor, pela forma como Juliet falava dele e das coisas que ele pode ter feito e bom, pelo menos ele é um bom personagem. É um médico, portanto inteligente e com cultura (veja bem, no século XIX as coisas eram diferentes), também é extremamente machista e tudo que lhe importa é seu trabalho (a.k.a. experiências muito estranhas com animais).

Sendo um cirurgião, o sangue era o meio com o qual ele trabalhava, assim como é a tinta para um escritor.

Segundo o Wikipédia a obra original trás uma discussão sobre religião, ética científica, behaviorismo e evolução. Obrigada Megan por não ter tirado isso na sua obra. Juliet sempre se questiona o quanto pode ser igual ao pai e sobre seu nível de crueldade e coloca esses tópicos em pauta em alguns momentos.

Uma coisa que eu achei muito interessante ao decorrer da obra é quando a personagem pensa nas criaturas criadas pelo Doutor, em questão de aparência e comportamento, e acaba se sentindo triste por uma delas – por conta da aproximação com ele. Isso me fez pensar o quanto a aparência realmente não significa nada. Mesmo convivendo com alguma das criaturas estranhas, Juliet se acostumou com elas, e no caso dessa criatura em especial ela não o via mais como uma experiência e sim como um ser humano.

Queremos criar algo melhor do que nós mesmos. Queremos a perfeição. Para mim, a perfeição é um ser com a capacidade de raciocínio de um ser humano, mas com a inocência natural das crianças, ou dos animais.

Apesar de achar que o livro não ia chegar a lugar nenhum durante a maior parte da leitura, finalmente nos capítulos finais a autora nos prestigiou com uma bela reviravolta. Eu sou bem lerda para perceber os sinais, mas um leitor mais espertinho facilmente vai entender o que esta acontecendo logo quando eles chegam à ilha. Mesmo eu não tendo gostado indico sim a leitura para quem curte YA. O livro tem uma mistura de ficção cientifica com romance, e para quem ama uma triangulo amoroso cheio de dramas vai se sentir no céu. A escrita da autora é bem simples (mesmo achando o livro enrolado foi fácil finalizar a leitura) e ela soube deixar o leitor curioso para os próximos volumes (mas não eu).

Foto 3

(clique para aumentar)

Observações: Novo Conceito caprichou nos detalhes da edição, com um background todo inicio de capítulo. Eu achei super bonitinho.

 

 

 

Megan Shepherd Foi criada nas montanhas do estado da Carolina do Norte. Sempre atrás do balcão da livraria independente dos pais nunca pensou que a carreira de escritor seria algo a levar a sério. Estudou diversas línguas e viveu dois anos no Senegal quando se juntou ao Corpo da Paz. Já fez diversos intercâmbios, trabalhou com guarda florestal e sempre foi entusiasta da série LOST. Atualmente quando não está escrevendo pode ser encontrada andando a cavalo, em cafeterias ou fazendo trilha nas montanhas da Carolina do Norte.

Sil 2

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14 pensamentos sobre “Resenhas :: A Filha do Louco

  1. Oie,
    eu não conhecia os livros, nem o original e nem a releitura. Confesso que não me sinto nenhum pouco atraída pelo livro, ainda mais sendo meio confuso no inicio rs
    Apesar de a capa ser linda, eu não o leria.

    Beijos!

  2. Olá, esse livro parece ser bom ou pelo menos eu achava que era, também não sabia que era uma releitura e isso me deixou com mais vontade de lê-lo, eu meio que amo releituras ❤ dependendo do triangulo amoroso da para ler sem problema, mas eu sempre acabo torcendo para a pessoa errada e ficando com raiva da escolha da autora…

  3. Oi Sil, sua linda, tudo bem?
    Eu não me importo com triângulos amorosos, isso não seria um problema para mim. E confesso que fiquei bastante curiosa com essas experiências do pai dela. Mas por tudo o que disse, no fim das contas, o que me atraiu mesmo, foi o livro original. Esse sim, acho que vai me cativar. Pode me marcar quando fizer a resenha que venho aqui.
    Gostei muito da sua sinceridade e dos seus argumentos.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

  4. Oi Silviane…

    Bom eu adoro triângulos amorosos e todo o drama que o envolve rs… porém não sei… esse livro não me cativou… embora eu goste muito de trilogias… a capa é bonita, mas o enredo não me trouxe vontade de ler… Xero!!

  5. Olá

    Ainda não li este livro do Wells, mas tenho vontade. Não sabia que tinham feito uma releitura da obra e eu acho que não li muitas na minha vida pra poder fazer um comparativo. Não fiquei interessado na leitura, ainda mais por saber sobre os protagonistas e que vai virar uma trilogia. Nem esse final me deixou curioso, enfim dispenso.

    Abraço!
    http://www.umomt.com

  6. Esse livro era um dos que eu queria ler, até saber que tem um triângulo amoroso cheio de dramas… aff… já cheguei ao meu limite com isso, sinceramente, não sei porque virou uma coisa praticamente obrigatória. Pelo menos nos capítulos finais teve essa reviravolta e o livro acabou chegando em algum lugar, mas perdi completamente a vontade de conhecer a história, pelo menos por enquanto.

    Beijo!

    Ju – Entre Palcos e Livros

  7. É a primeira vez que vejo alguém dizer que não gostou muito do livro. Agora fiquei meio confusa no começo da resenha qdo vc disse que ele era uma releitura e não deu o nome do livro original. Mas enquanto escrevo acabo de perceber que logo mais abaixo vc sanará essa dúvida. Não posso mais com triangulo amoroso, principalmente quando ele toma um rumo que não quero. Não sei se fiquei curiosa com o livro original, na verdade vc me desanimou completamente para este livro, e olha eu tava bem animada. Bom, vai ter que ficar um tempo a mais na estante!

    • Aaah! Ju. Desculpa. Mas olha, pelo jeito eu fui a única pessoa chata que não curtiu a história, então acho que você pode acabar se identificando.
      Logo na primeira linha eu coloquei o nome do livro original, sua danada… IHAEOUHUEA MAS OKAY te perdôo. Enfim, acho que você deveria ler e talvez até se apaixone pelo triangulo. Eu que fui chata mesmo.

  8. Bem, antes já estava um pouco receoso com essa leitura por conta da capa… agora que nem leio mesmo! haha Tô correndo de leitura chata, re-leitura (gosto do original primeiro), reviravoltas e etc.
    Gostei da resenha super crítica em delatar os pontos que te fizeram não apreciar totalmente a leitura.
    xoxo
    Bookmore

    • Oi, Gabriel. Acho que no seu caso vale a pena ler a obra original.
      E bom, se eu não gostei tanto ou se teve algo que incomodou os leitores devem saber exatamente o que foi, as vezes só falar que não gostou sem justificar não é uma boa, né?? Bjs

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