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Resenhas :: A Menina Que Tinha Dons

Eu ganhei o livro A Menina Que tinha Dons em um sorteio de cortesia no Skoob. Esse livro foi lançado aqui no Brasil pela editora Rocco no ano passado e eu não tinha muitas expectativas para essa leitura, principalmente porque ele aborda um tema pouco atrativo para mim. Porém, M. R. Carey fez minha cabeça voar entre a satisfação e o desespero completo.

 

 Título: A Menina que Tinha Dons    

 Autor: M. R. Carey  

 Editora: Rocco    

 Páginas: 384    

 Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Cultura/Saraiva

Sinopse: Todas as manhãs, Melanie aguarda em sua cela para ser levada à sala de aula. Quando os militares chegam para buscá-la, o sargento Parks aponta uma arma em sua direção, enquanto dois soldados a amarram a uma cadeira de rodas e a conduzem por um longo corredor. Ela não entende porque eles não gostam dela e brinca que não vai mordê-los. Mas eles não acham engraçado. Querem apenas continuar vivos.

Melanie é uma garota de 10 anos como qualquer outra, ela gosta de ir para a escola e sua professora preferida é a Srta. Justineau que ler na sala de aula as histórias mitológicas que Melanie tanto ama. Ela é uma criança prodígio e suas notas são as mais altas da turma. Ela é inteligente, amável e tudo que mais quer é viver ao lado da Srta. Justineau. Só que tem um problema: Melanie não tem pais ou uma casa, no lugar disso ela tem uma pequena cela guardada por soldados armados; ela nunca conheceu nada além de sua cela e a sala de aula; ela sempre é amarrada e sempre há uma arma apontada para sua cabeça. Ela não entende o por que disso, afinal nas estórias contadas na aula as crianças não vivem dessa maneira, mas essa é a realidade que ela conhece e por esse momento está satisfeita pelo que tem.

O melhor dia da semana é quando a Srta. Justineau dá aula. Nem sempre é mesmo dia e em algumas semanas ela nem aparece, mas sempre que é empurrada na cadeira para a sala de aula e vê a Srta. Justineau ali, Melanie sente uma onda de pura felicidade, como se seu coração voasse dela para o céu.

A primeira coisa que você precisa saber antes de iniciar a leitura de A Menina que Tinha Dons é que nada descrito nele é bonito. É uma leitura densa, com descrições detalhadas e cheio de ação. E a segunda coisa que você precisa saber é que essa é uma estória que se ambienta em um período pós-apocalíptico e nele envolve zumbis. Eu não sou uma grande conhecedora desse gênero, esse é o primeiro livro desse tema que eu leio e a única referencia que tenho sobre zumbis estão presentes na série de TV The Walking Dead – e esse livro é completamente diferente de tudo que eu já vi na série.
Eu não posso dá muitos detalhes sobre o enredo sem soltar algum spoiler, por esse motivo tomarei cuidado para não revelar nada muito importante.

Além da Melanie existem três outros personagens que precisam ser citados: sargento Parks, professora Justineau e Dra. Caldwell. Eles vão ser figuras importantes para o desenvolvimento da protagonista e cada um deles irá trazer perspectiva diferentes sobre a realidade apresentada no livro.

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Arquivo Pessoal

Parks é um homem objetivo e centrado, ele tem consciência sobre a monstruosidade que o mundo se tornou e não tem medo de puxar o gatilho seja na cabeça de um faminto ou de um ser humano. Ele é o chefe encarregado da segurança do lugar aonde Melanie se encontra e é um homem que carrega na face a marca de que já viu de tudo. Melanie não gosta dele e dificilmente você gostará dele quando iniciar a leitura. Ele pode ser duro e frio, mas tudo o que faz é lutar para sobreviver. Parks foi o meu personagem preferido desse livro, porque ele é provavelmente o personagem que mais se concretiza durante a narrativa, suas ações e pensamentos são coerentes com a realidade apresentada na estória. Eu fiquei impressionada de como uma mudança de ambiente pode fazer com que um personagem desagradável se torne admirável. Só me desapontei um pouco por não saber mais detalhes sobre a vida dele antes do chamado Colapso, porém eu tenho consciência que isso se dá pelo o meu costume ao formato da série The Walking Dead, que mistura elementos do passado com o presente. Apesar disso, foi impecável a construção desse personagem.

Justineau é uma das professoras destinada a lecionar na turma da Melanie. Ela é gentil e amável com as crianças, apesar de ninguém mais ser, e ler regulamente estórias sobre temas diversos – geralmente infantis, mas nem sempre. Eu não tenho muito o que falar sobre essa personagem, ela não me agradou desde o começo por ter uma personalidade muito boazinha, mesmo no meio da estória quando ela relata um momento no passado em que fez algo horrível, não me convenceu e fiquei completamente indiferente ao fato. É um personagem raso e com uma personalidade medíocre que em muitos momentos me fez pensar: “O que diabos você pensa que está fazendo agora?”. Tem um limite de uma pessoa ingenua para uma completamente sem noção e esse foi todo o sentimento que eu consegui extrair dessa personagem. Além disso, o relacionamento criado entre ela e Melanie também não me convenceu e isso foi uma pena porque tinha todos os elementos importantes para que pudesse dá certo, porém não aconteceu.

E por último temos a Dra. Cadweel. Ela é a personagem que trás um tema muito legal para esse livro, que é o questionamento sobre o limite moral e humano para ser considerando no que se trata a evolução da ciência. Ela é um personagem sem escrúpulos quando se trata de chegar ao objetivo final de seu pesquisa, não importa quem precisa morrer para isso. E foi muito interessante ver essa mente brilhante e racional funcionando em um meio onde ela não é questionada por sua moral ou ética e é até nauseante pensar em algumas das cenas protagonizadas por ela durante a leitura. Seus métodos são questionáveis, mas é no  objetivo final que ela deseja chegar – logo será que os fins justificam os meios? Cadweel e Justineau são os polos opostos dessa estória – é a ciência sem escrúpulos em briga com a moral humana e apesar de no começo esse elemento se apresentar de maneira interessante, se torna repetitiva e maçante no decorrer da narrativa. Porém foi o tema que me causou maior reflexão.

Dois homens do sargento entram atrás dele, mas não chegam perto da cadeira. Ficam em posição de sentido e esperam até o sargento assentir sua permissão. Um deles aponta o revólver para Melanie enquanto o outro começa a desfazer as tiras, primeiro a do pescoço e por trás.

Apesar de não ser um gênero que me agrade, A Menina que Tinha Dons surpreende pela criatividade do autor ao criar uma estória completamente diferente de muitas anteriores a ela. O final me deixou refletindo por horas e mesmo agora eu não sei se gostei ou odiei o desfecho desse livro. É uma conclusão coerente, se considerarmos toda a construção da estória, mas não é agradável de se ler. Entretanto, é um bom livro para aqueles que curtem esse gênero, ele tem todas as boas qualidades tanto na construção da escrita e quanto no desenvolvimento dos personagens, eu recomendo a leitura – e preparem-se para noites mal dormidas!

Book trailer

M.R. Carey, pseudônimo de Mike Carey, nasceu em Liverpool, Inglaterra, em 1959. Começou a escreJamieMcGuirever e desenhar histórias ainda criança para entreter seu irmão mais novo. Como escritor, seu trabalho se estende por quadrinhos, notadamente, e por romances, roteiros de filme e programas de TV. Depois de uma série de trabalhos pontuais para empresas de quadrinhos independentes no início de sua carreira, escreveu séries aclamadas para as gigantes DC Comics (Lucifer, Hellblazer, protagonizada pelo exorcista John Constantine, e O Inescrito, todas pelo selo Vertigo) e Marvel Comics (X-Men, no arco de histórias “X-Men: Legado”, e Ultimate Quarteto Fantástico, uma modernização do grupo de heróis). Nome recorrente na lista de bestsellers de ficção gráfica do The New York Times, Carey é considerado o “novo Neil Gaiman” nos EUA.
Ana
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9 pensamentos sobre “Resenhas :: A Menina Que Tinha Dons

  1. Olá… tudo bem??

    Bom pelo que percebi temos uma história bem densa por aqui… a capa não me remete curiosidade, mas o pouco do enredo que você propôs na resenha me trouxe uma curiosidade… parece uma história que prende e fascina… aquele comecinho me instigou muito… sobre a menina de 10 anos e que vive em uma cela… nossa… quero entender por que… Xero!!

  2. Obrigada pela sua resenha, pois a minha expectativa a respeito dele estava completamente errada. Você ter dito que nada descrito nele é bonito e que ainda tem zumbis bastou para que eu quisesse passar longe. Tenho verdadeiro pânico de zumbis, de jeito nenhum eu conseguiria ler, mesmo sendo uma história criativa e diferente.

    Beijo!

    Ju – Entre Palcos e Livros

  3. Oi, Ana!
    Caramba, primeiro de tudo: Você ganhou cortesia no Skoob???? 😮 Chocada! rsrs
    Segundo: Esse não seria um livro que eu leria, adoro TWD também, mas a sinopse não me instigou, já o booktrailer e a sua resenha, me deixaram bem curiosa com a hsitória. Então, ainda to pensando se leio ou não. Talvez eu dê uma chance, você disse que a historia é bem construída, e eu curto historias bem construídas.

    Beijinhos
    Jaque – Meus Livros, Meu Mundo.

  4. Pelo que entendi de sua resenha esse é um livro denso, certo? Fiquei curiosa com todo o drama que se desenvlve nessa narrativa. Poré, quando cheguei a parte que você fala da professora já me desanimei completamente, odeio personagens que parecem não estar cientes do que acontece a sua volta, ingenuidade sim, mas fazer de sonso é outra coisa. Não sei bem se leria agora, apesar de ter vários pontos positivos e ter te agradado mesmo não sendo um gênero que vc gosta, não sei se isso compensa o desanimo que me causou uma única personagem kkk

  5. Também não é bem o meu tipo de leitura, mas o booktrailer é muito bem feito e pelo o que você contou o livro também é muito bem construído. E meu Deus, você é a primeira pessoa que eu conheço que ganhou cortesia do skoob! hahahaha

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