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Resenhas :: Clube da Luta

Eu comprei Clube da Luta em uma daquelas promoções que deixam os preços dos livros tão lá em baixo, que é quase um pecado perder a oportunidade. Já havia ouvido falar da adaptação para o cinema Fight Club, dirigido por David Fincher, mas nunca procurei saber mais sobre o que se tratava. E foi com essa leitura que eu descobri que poderia gostar de um pouco de testosterona desprendido entre as páginas.

   

Título: Clube da Luta    

Autor: Chuck Palahniuk    

Editora: LeYa    

Páginas: 272    

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Saraiva/Extra

Sinopse: Considerado um clássico desde sua publicação em 1996, Clube da Luta é hoje reconhecido como um dos romances mais originais e provocativos de sua década. O humor negro de Chuck Palahniuk narra a história de um jovem funcionário que descobre que sua frustração e ira não podem ser acalmados com o consumo desenfreado que a mídia oferece. Ele encontra alivio e redenção após horas de luta em pequenos clubes escondidos nos porões de bares da cidade. O clube da luta é idealizado por Tyler Durden, que acredita ter encontrado uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e de suas regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente.

Não pretendo com a minha introdução dizer que Clube da Luta é um livro sobre violência gratuita. Há no conteúdo de suas páginas algo muito maior do que somente homens descalços e sem camisa lutando em meio à um circulo. Em Clube da Luta podemos ver uma critica a sociedade moderna – como por exemplo, a falta de empatia humana e o consumo exagerado de bens matérias – os problemas mais frequentes de uma sociedade das maquinas.

Nos importamos mais pelo que temos, do que pelo que somos – e aqueles que não possuem nada, logo perdem seu valor. E é em Clube da Luta que vemos aqueles que são desvalorados pela sociedade, aqueles que não tem nada além de suor, coragem e sangue.

O que as pessoas são no clube da luta não tem nada a ver com o que elas são no mundo real. Mesmo se você disser ao cara da copiadora que a luta dele foi incrível, não estará falando com o mesmo homem.

O protagonista e narrador do livro é um funcionário (seu nome verdadeiro não é revelado) de uma empresa que lucra por cima de tragedias automobilísticas. Ele se encontra insatisfeito e frustrado por frequentemente ter insonia, é algo que assombra a vida do personagem no inicio da leitura. Porém, logo depois ele encontra a solução para esse problema de uma maneira não convencional – todos os dias ele vai a grupos de apoio a pessoas com câncer – e não, ele não tem câncer!

Diferente da Hazel, do livro A Culpa é das Estrelas, o protagonista de Clube da Luta gostava de frequentar grupos de apoio. Apesar de não ter câncer, ele frequentava todos os dias diferentes grupos de apoio para poder chorar e conseguir dormi.

É assim que sempre acabo chorando. Chorar é o que sobra da escuridão asfixiante de dentro de outra pessoa, quando você vê que tudo o que já conseguiu na vida terminará no lixo. Tudo que você terá orgulho será jogado fora. E me sinto perdido.

O protagonista desse livro chegou a uma conclusão: todos vamos morrer! Todos estamos morrendo agora mesmo. Alguns vão mais rápido pelo câncer, mas até ele algum dia vai está enterrado assim como todos aqueles do grupo. E do que irá adiantar esse acumulo de coisas inúteis, já que tudo será jogado fora no dia em que morremos?! Essa foi a parte do livro que me causou uma maior reflexão e eu gostei muito disso.

Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

Está na hora de eu falar sobre Tyler Durden, personagem que fundou o Clube da Luta e que leva a loucura desse livro a um novo nível.

– Quero que me dê um soco o mais forte que conseguir.

Tyler

O narrador conhece Tyler Durden em uma viagem de avião e por alguma razão fica fascinado por ele. Ambos tem um passado semelhante, porém com personalidades e pensamentos distintos. O narrador frequentemente aponta o quanto acha Tyler  uma pessoa melhor do que ele, e que sem Tyler ele não seria ninguém. Confesso que isso me incomodou um pouco durante a leitura, porque o narrador se torna 100% dependente do Tyler e isso faz ele se tornar  irritante.

Por determinada situação explicada no livro, o narrador começa a morar no apartamento de Tyler Durden e é nesse momento que conhecemos melhor as ideologias criadas por esse personagem extremamente persuasivo. Eu comparo as habilidades de Tyler a uma pessoa conhecida nos livros de história de todo o mundo: Adolf Hitler. O que Hitler fez foi dá aos alemães, que tinham recentemente perdido uma guerra, orgulho pelo sangue e pela terra. Ele os convenceu de que a culpa para a vida sofrida que tinham eram de todos os outros, menos deles – e foi trazendo a eles orgulho que Hitler convenceu centenas de alemães a apontarem suas armas para seus inimigos e para se sacrificarem por seus ideais.

– A primeira regra sobre o clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.

– A segunda regra sobre o clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta – grita Tyler

O Clube da Luta apesar de trazer algo nocivo para o leitor, trás ao mesmo tempo algo atraente. É impossível não se identificar com esses personagens feridos, suas realidades trazem a dor e a revolta para fora das páginas. Eu senti empatia por praticamente todos os personagens, porque a realidade deles é igual a de muitos de nós – estamos todos perdidos nesse mundo, tentando incansavelmente nos encontrar.

Atrás dessa edição da LeYa tem a seguinte trecho de uma citação da revista Kirkus Reviews sobre o livro Clube da Luta: “(…) é perigoso porque é muito atraente”. Creio que essa é a melhor forma de explicar qual foi a minha opinião ao terminar a leitura desse livro. Um último aviso: eu indico esse livro para todos aqueles que tiverem um estomago forte e um pensamento aberto.

Chuck Palahniuk nascido em Pasco, Washington a 21 de Fevereiro 1961. JamieMcGuire é um escritor residente em Portland, Oregon. O seu trabalho mais popular é Fight Club (Clube da Luta), que foi posteriormente adaptado para cinema.
Ana
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28 pensamentos sobre “Resenhas :: Clube da Luta

  1. Pingback: Os 10 melhores livros lidos em 2015 | Cantar em Verso

  2. Lendo sua crítica só digo uma coisa: Deu vontade de ler novamente (mas não vou pedir outro livro emprestado pra vc, já sabe como minha lista ja ta cheia e atrasada). Acho que algo que pode resumir o livro é “um soco na cara” igual ao que Taylor pede. Você começa a ler e cada capitulo, cada paragrafo acontece algo inesperado que te faz refletir sobre coisas que vc nunca pensou ou estão tão entrelaçadas no nosso dia a dia que vc nem percebe mais. E o livro te faz perceber varias coisas nem que seja com um soco no estomago

  3. Oie,

    Ja vi muita gente falar sobre esse livro, dele ser um classico da literatura moderna, se eu encontrar ele numa livraria ou na promoção com certeza eu irei comprar, quero ler livros com temas diferentes, não posso ficar o tempo todo lendo apenas romances hehhe.

    Mayla

  4. Ooi, tudo bem?
    Ano passado em comprei este livro, pois ele estava por um preço super baixo. Também penso ser um crime não aproveitar uma promoção ❤ mas uma entrei em um amigo oculto e a menina pediu ele, então eu dei.
    Nunca tinha lido nenhuma resenha, e também não assisti ao filme por pensar se tratar de uma violência gratuita. Gostei de saber que o livro é bem mais que isso, e o que o nosso protagonista, apesar dos apesares é sensível.
    Gostei da premissa, acho que vou comprar de novo rsrsrs.

    Beijooos!
    vivemosemlivros.blogspot.com.br

  5. Nossa, que coisa mais louca o cara ficar frequentando grupos de ajuda para pessoas com câncer para chorar e conseguir dormir… mas também, trabalhando num lugar que lucra com acidentes automobilísticos, não deve ser difícil se sentir mal e ter insônia mesmo não… Não tenho o estômago nada forte, e como o que me interessou no enredo foi basicamente esse parte, acho melhor não ler.

    Beijo!

    Ju – Entre Palcos e Livros

  6. Ana, você tem razão.. esse livro sempre está em promoções que nós fazem querer trazer todos.
    Como não tenho o estomago forte, sempre fico com aquele medo se vou gostar ou não.
    O livro não me parece ruim, e pelo visto você curtiu né.. mas ainda vou deixá-lo lá esperando o momento certo de ser comprado. Eu gosto de testosterona misturado com muito romance. Assim eu não sei se irei curtir tanto.

    Beijiinhos ;*
    Andressa – Blog Mais que Livros

  7. Oi Ana, tudo bem? Sempre ouvi falar desse livro, mas nunca parei para ler uma resenha e saber mais do que se tratava. Achei muito interessante as reflexões que o leitor tem ao ler, e nossa, essa passagem sobre todos morrermos um dia, e de nada adiantar nos apegar a coisas materiais realmente é muito verdade. Achei interessante ser um livro que todos nós podemos no identificar.

    Sua resenha ficou excelente e me deu muita vontade de ler!!

    Beijinhos,

    Rafaella Lima
    http://vamosfalarlivros.blogspot.com.br/

  8. Oi, Ana!

    Já assisti o filme e adorei. Fiquei extremamente chocada em algumas partes. E pensando em quão inusitada é a mente humana! Essas reflexões no livro eu não sabia, e só me deixou com mais vontade de ler. Sua resenha foi muito bem escrita! E muito legal ter colocado o aviso no final.

    Bjs

    http://www.horadaleitur.blogspot.com.br

  9. Oi Ana,

    A sua resenha é daquelas que nos instiga a ler o livro, ela trouxe dados interessantes e situa o leitor sobre a obra sem entregar nada, isto é muito bacana, parabéns!
    Agora, mesmo tendo questões interessantes, me parece que tem muita violência (não gratuita como você colocou), mas, mesmo assim não me motivo a ler pelo fato de eu detestar qualquer tipo de luta, mas com certeza o autor e seu livro tem e terão muitos leitores.

    Beijos
    Tânia Bueno
    http://www.facesdaleiturataniabueno.blogspot.com.br

  10. Oi, Flor! Tudo bom?
    Gostei muito da proposta do livro, achei que de fato, seria um livro sobre sangue, lutas e só, mas com sua introdução, fiquei muito surpresa. Gosto de livros assim, que se destacam e no fim acabam trazendo um assunto polêmico, algo que poucos autores trazem aos leitores. Sei que essa história veio para sacudir o mundo de alguns e abrir os olhos dos outros, e quero muito passar por essa experiência, o livro vai para a minha lista de desejados e o quanto antes, quero meu exemplar!

  11. Ana lindona, assisti o filme algum tempo atrás , e lendo sua resenha me lembrei se algumas partes e concordo com você muito mais que a luta a violência em si, para ele a luta era um alívio , engraçado como um personagem como esse acaba mexendo conosco, ele busca na luta alivio e nos grupos de apoio , paz para dormir. Uma ótima leitura . beijos

    Joyce
    http://www.livrosencantos.com

  12. Oi Aninha, sua linda, tudo bem?
    Adorei seu texto, você escreve muito bem.
    Confesso que não sei se leio ou não. Essa citação que você fez, mexeu comigo, ela é a responsável pela minha dúvida. Pois entendi que o perigo se encontra no fato de que poderemos ver coisas que contrariam nossos valores, mas assim mesmo nos sentir atraídos. É a famosa natureza humana que tanto me fascina. Ela está me atraindo para essa leitura. Mas meu estômago fraco está me distanciando, risos…
    Vamos ver quem vai vencer!!!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

  13. Oi, Ana!!!
    Confesso que quando comecei a ler sua resenha eu pensei: Vou detestar esse livro!
    Mas quando você começou a falar do sofrimento do personagem, eu me interessei. Eu gosto desses livros que nos envolvem, e não são tão ficcionais, que tem um quê de verdade.
    Se eu tiver a oportunidade, e encontrar uma promoção tentadora dele, com certeza comprarei 🙂

    Beijos!

  14. Olá… tudo bem??
    Eu assisti o filme… e independente de toda aquela luta e violência percebi qual o recado a ser da dodo a nossa sociedade… eu não curti muito o filme… não que eu não goste de luta, eu até gosto de uma ação, mas esse em si não me prendeu… nunca tinha parado para pensar referente ao livro… pelo que percebi por trás dos corpos suados e alvejados pelas lutas há ensinamentos, lições de vida e um recado para essa nossa sociedade maluca… eu não tenho muito interesse em ler o livro… mas gostei de sua resenha e dos pontos levantados nela… Xero!

  15. Oi, Ana!
    Eu sempre tive uma visão bem negativa quando se tratava desse livro (e de sua adaptação). Nunca cogitei a possibilidade de lê-lo, sempre pensei que fosse sangrento do início ao fim. Mas com sua resenha pude perceber quão errada eu estava. Pelo o que li, o livro é sim sangrento, mas de outra forma. Achei bem diferente o protagonista frequentar grupos de apoio para conseguir dormir, e fiquei imaginando toda reviravolta que aconteceu quando ele conheceu Tyler. Acho que na próxima vez que esse livro estiver em promoção, terei que comprar. Não deve ser uma leitura leve, mas gosto de livros que nos fazem refletir sobre as coisas.

    Beijos
    http://www.procurei-em-sonhos.com

  16. Oi Ana.
    Sempre vejo esse livro na promoção e fico em dúvida se devo comprar.
    Eu sempre temo ressalvas como a sua: “estômago forte”, já começo a imaginar mil e uma situações cabeludas que podem conter no enredo.
    Apesar de ter interesse em conhecer essa história, já que as opiniões sobre ele são unânimes em elogios, vou aguardar o momento adequado.

    Beijos.
    Leituras da Paty

  17. Olá

    Quase também comprei este livro nessas promoções malucas que têm de vez em quando. Infelizmente não consegui comprar, mas atualmente tô com tanto livro na estante que nem sei quando vou ler os novos livros que chegam. Enfim, já conferi umas trocentas vezes a adaptação do livro pro cinema feita pelo Fincher, gosto bastante e tenho curiosidade pelo livro. Espero poder ler o quanto antes. Adorei quando disse que a empatia para com os personagens se dá de forma natural porque eles todos são muito humanos e passíveis de identificação.

    Abraço!
    http://www.umomt.com

  18. Ana, estou naquele dilema, louca pra ler sua resenha, mas com medo de descobrir qualquer detalhe hahaha! Eu assisti o filme ‘n’ vezes, acho completamente genial, e quando vi o livro nessa mesma promoção que vc, nao tive dúvidas de que precisava ler! Mesmo que eu tenha certa dificuldades, pq as cenas que eu lembro do filme tornam a leitura meio cansativa… E por isso, o medo de ler sua resenha! Mas sua indicação já me deixou ansiosa pela leitura, eu tenho sim uma mente aberta, eu tenho sim um coração forte! Hahaha!

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