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Resenhas :: Gênesis

Hoje trago uma resenha de um livro que comprei na Bienal por apenas R$5. Vi na estande mas a capa não me chamou muito a atenção (eu julgo os livros pela capa e admito: às vezes erro), até que minha companhia de Bienal estava com ele nas mãos dizendo que parecia ser interessante e então li a sinopse e algo me prendeu, já que parecia se tratar de uma distopia e eu gosto desse gênero.

Título: Gênesis

Autor: Bernard Beckett

Editora: Intrínseca

Páginas: 176

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Submarino/Saraiva/Editora

Sinopse: Na ocasião em que a Terra foi arrasada pela Peste, os sobreviventes reuniram-se em uma nova sociedade. Separados do mundo exterior por uma cerca em pleno oceano, vivem em absoluto isolamento – aviões que se aproximam são abatidos; refugiados, executados. Até que um soldado escolhe romper com as regras e, em vez de disparar, resgata das águas uma menina. Seu nome é Adam Forde. Ele muda para sempre o curso da História.

Anaximandra, uma jovem de 14 anos, estudou a fundo esses dados históricos. Numa sala com pouca luz ela está sentada diante de três Examinadores para uma exaustiva prova de quatro horas. Adam Forde, seu herói, morto há bastante tempo, é o tema do exame. Se aprovada, ela será admitida na Academia – a instituição de elite que governa aquela sociedade utópica. Anax, porém, está prestes a descobrir que nem tudo consta dos registros acadêmicos. Há fatos, imagens, arquivos a que nem todos têm acesso. Antes que a avaliação termine, virão à tona o obscuro segredo da Academia e a realidade assustadora daquele admirável mundo novo.

Gênesis é um livro narrado em terceira pessoa e inicialmente nos deparamos com Anax, uma garota que vai fazer um teste para entrar na Academia – o verdadeiro conceito da Academia só nos é informado no final do livro, portando maiores detalhes seria um graaande spoiler . A narrativa é um grande dialogo entre Anax e seu Examinador (são três examinadores mas apenas um fala diretamente com a personagem).
O tema do exame é “A vida e a época de Adam Forde” (2058-2077), escolhido pela própria Anax, de acordo com sua especialidade.

Durante seu teste descobrimos que Adam nasceu em uma sociedade chamada Republica de Platão, construída em uma ilha depois das Guerras que tomaram o mundo. Para estabelecer a ordem essa nova sociedade foi dividida em classes baseadas em seus genomas, que são elas: trabalhadores, soldados, técnicos e filósofos. As crianças eram separadas dos pais imediatamente após nascimento e ao termino do primeiro ano de vida testes eram realizados para definir em qual classe deveria pertencer.
A possibilidade de mudar de classe era uma realidade, porém a classe dos filósofos era reservada para alguns privilegiados e Adam era uma deles.

“Vocês pensam que são o último estagio dessa evolução, mas é para isso que o pensamento serve muito bem: para iludir o pensador.”

Infelizmente nem tudo são flores e após quebrar uma das regras da República Adam foi rebaixado para soldado.

Em sua adolescência Adam quebrava varias regras da Republica, sempre demonstrando não ser facilmente manipulado como os outros. Adam não acreditava na segurança que a Republica dizia dar aos seus habitantes e não aceitava a possibilidade do restante mundo ser um lugar doente e inabitável. Então Adam teve a sua última chance de quebrar as regras: Salvar uma refugiada do mundo; mudando assim todo o curso da humanidade.

Após quebrar essa última regra Adam é julgado e uma grande indicativa que ele seria condenado a morte pairava sobre a população, porém um filosofo que estava trabalhando em um androide querendo uma máquina que pudesse pensar por conta própria deu a ideia de Adam cumprir sua pena servindo como uma fonte de estudo para ele. Art – o nome do androide – teve sempre como companhia seu criador Willian, e Willian passou a acreditar que o desenvolvimento de Art estava precário por conviver somente com uma única pessoa, sem interações e pensamentos diferentes.

Genesis

Durante as interações entre Adam e Art temos criticas e reflexões sobre o que é ser humano, pensante por natureza e o que é ser um androide, programado para pensar que desenvolve ideias por conta própria.
O relacionamento entre Adam e Art não é, nem de perto, amigável. Art, apesar de ser apenas um androide, se mostra capaz de sentir tristeza, de agir com irônia e sarcasmo, provocar e até mesmo propensão à maldade. Art defende com unhas e dentes a sua espécie e questiona sobre a longevidade do ser humano.
É crucial para a história o desenrolar entre o relacionamento entre Adam e Art, o quanto um influencia o outro até chegarmos ao final – foi simplesmente surpreendente.

“A surpresa é o rosto publico de uma mente que estava fechada.”

O livro é curtinho, curtinho, mas em alguns momentos o dialogo entre Anax e seu Examinador são bem chatinhos, mas isso é mais no começo do livro quando ela explica sobre o rumo que a humanidade tomou até chegar a Republica de Platão, já que o autor optou por explicar detalhadamente sobre a Guerra, as ideias de Platão e a história do Adam. Mesmo sendo um livro pequeno não acredito que tenha ficado lacunas a serem preenchidas.

Por fim quero deixar esse trecho do livro que me marcou bastante:

“Eu não sou uma máquina. O que uma máquina pode saber sobre o aroma da relva molhada de manhã ou sobre o som de um bebe que chora? Eu sou a sensação do calor do sol sobre a minha pele; sou a sensação da onda fria que se quebra de encontro ao meu corpo. Sou os lugares que nunca vi, mas que posso imaginar quando meus olhos estão fechados. Sou o sabor do hálito de outra pessoa e a cor dos cabelos dela.
Você zomba da pouca duração da minha vida, mas é o próprio medo de morrer que instila vida dentro de mim. Eu sou o pensador que pensa sobre o pensamento. Eu sou a curiosidade, sou a razão, sou o amor e o ódio. Sou a indiferença. Sou o filho de um pai, que por sua vez foi filho de outro pai. Sou o motivo do riso de minha mãe e a razão do seu pranto. Sou uma maravilha e sou capaz de maravilhar. Sim, o mundo pode ir apertando os botões à medida que passa através de seus circuitos. Mas o mundo não passa através de mim, ele vive em mim. Eu estou nele e ele esta em mim. Eu sou o meio pelo qual o universo teve consciência de si próprio. Sou aquela coisa que nenhuma maquina será capaz de fabricar. Eu sou feito disso: significado.”

Bernard Beckett Bernard Beckett nasceu em 1967, é economista e dá Bernard Beckett aulas de matemática, inglês e teatro em escolas do ensino médio. Gênesis foi escrito no período em que atuou como pesquisador da Royal Society na investigação de mutações de DNA. Premiado na Nova Zelândia e aclamado internacionalmente, o livro teve os direitos de publicação negociados em 21 países. Beckett mora em Wellington com a mulher, Clare Knighton.

 

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16 pensamentos sobre “Resenhas :: Gênesis

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  3. Gosto de livros críticos. Me cansa um pouco livros muito parados, como parece ser o caso deste.
    Mas a capa é tão linda e o plot tão interessante que eu acredito que arriscaria rs
    ótima resenha.
    beijinhos

  4. Olá Sil,
    bom este livro é algo um tanto diferente, pois da forma que você falou ele parece ser uma distopia. Porem ninguém mencionou algo que fosse, apenas tirei a conclusão pela forma que narrou e falou sobre.
    Eu estou interessado na leitura dele, mas não dei foco e determinação, e sim vou deixar rolar ate enfim ler ele, sem dar prioridade.
    Mas a historia é interessante, ainda sendo distopia, gênero o qual me interessa. Gosto da forma de narração, lutas para conquistar algo, como ele para entrar na academia. E o lado positivo que é curtinho, então a leitura é rápida e prazerosa, alem que você falou que não mesmo curto não houve lacunas. O que é muito bom, significa que ele soube muito bem escrever sem deixar a desejar.
    Adorei a resenha!

    Beijokas Ana Zuky

  5. Fiquei curiosa para saber o que é essa academia, afinal, mas esse negócio de ter Platão no meio acho que ia me enlouquecer! rs… Não estou num momento de leituras que tratam de temas tão complexos, fora que acredito que já ia ficar com vontade de interromper a leitura quando começassem esses diálogos chatinhos no início.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

  6. Se tem uma coisa que eu gosto em distopias, são as explicações que eles dão para o mundo ter chegado até onde chegou e também a formação da nova sociedade.
    Infelizmente esse seria o único motivo pelo qual eu leria esse livro. Achei a premissa dele chata e entediante. A menina e o examinador, o rapaz e o robô.. talvez a vida de Adam também fosse um pouco interessante de se acompanhar, mas vou deixar passar.

    Beijiinhos ;*
    Andressa – Blog Mais que Livros

  7. Ola Silviane a premissa desse livro não me chamou atenção depois lendo que o começo é meio chato, acho que não vai prender minha atenção. Vou passar essa leitura quem sabe mais para frente beijos lindona .

  8. Oi, Silviane, assim como você, consegui um exemplar novo por R$5,00, foi em janeiro, durante uma viagem. Mesmo sendo bem curtinho, ainda não o li. Espero que os diálogos de Art e o Examinador não sejam monótonos. É bom saber que um livro curtinho cumpre bem o seu papel sem deixar lacunas, ainda mais em um moda de séries longas e cheias de extras. Beijos.

    • Eu achei os diálogos no começo um pouco chatinho, mas é bem no começo. Depois você acaba ficando beeem curiosa para saber o que acontece com Adam e Art.
      Vale a pena a leitura.

      Beijs

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