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Resenhas :: Legend

Não é de hoje que eu admito meu fraco por distopias, se há algum livro se passando em um mundo distópico, eu o leio, não importam as suas distinções. Com Legend não foi diferente, aliás, foi. É o tipo de leitura que inicialmente não apresenta muito além de nos deixar curiosos, mas basta adiantar algumas páginas e pronto, li Legend em um estalar de dedos, de tão conectada com a história e os seus protagonistas, Day e June, em especial. Mais uma distopia para a tão amada coleção? Óbvio que sim.
Título: Legend

Autora: Marie Lu

Editora: Prumo

Páginas: 255

Onde você pode encontrar (Opções de livro impresso): Submarino/Saraiva/Siciliano
Sinopse: Legend, A Verdade Se Tornará Lenda – Ambientado na cidade de Los Angeles em 2130 D.C., na atual República da América, conta a história de um rapaz – o criminoso mais procurado do país – e de uma jovem – a pupila mais promissora da República –, cujos caminhos se cruzam quando o irmão desta é assassinado e a ela cabe a tarefa de capturar o responsável pelo crime. No entanto, a verdade que os dois desvendarão se tornará uma lenda. O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.

A história se passa em Los Angeles, Califórnia, ou a República da América no ano de 2130 D.C., e conta a história de Day e June. Dois jovens que além da pouca idade – ambos tem 15 anos de idade – não possuem muito em comum. Enquanto June nasceu em um bairro nobre, sob a custódia de uma família influente, teve oportunidade a uma educação privilegiada e um lugar de prestígio no novo sistema de governo quando se formou, mesmo que muito jovem, dado o fato de que ela era considerada um prodígio por ter obtido a nota máxima na prova em que todos os moradores da República precisavam fazer ao completarem 10 anos de idade. Para eles, aquele era um resultado inédito, 1.500 pontos. Em contrapartida, Day era um garoto pobre, nascido em um setor desprivilegiado da República, o setor Lake, tendo más condições de moradia, alimentação e apenas a mãe para cuidar e trabalhar para si e seus outros dois irmãos. Seu pai havia falecido quando era mais novo e desde então sobreviver era uma batalha árdua. Quando submetido a prova ao completar 10 anos de idade, Day é reprovado – ou pelo menos é isso que ele pensa -, e é aí que uma nova jornada em sua vida começa. Day passa a viver nas ruas e deixa que a sua família acredite que ele está morto, apesar de se esforçar continuamente para protegê-la e cuidá-la, principalmente, tentando ou torcendo para mantê-los longe da praga, que se instala e se espalha nos setores pobres com facilidade e praticamente dizima a população, enquanto os que pertencem a elite da República são imunizados anualmente e não sofrem com este mal. O único que sabe a verdade sobre o fato de estar vivo é o seu irmão John e sua melhor amiga, Tess. Anos mais tarde, ele se torna o criminoso mais procurado pela República, que não faz a menor ideia de quem o jovem é, de como é o seu rosto ou como ele consegue praticar as ações mais engenhosas possíveis. É improvável que a história dos dois se cruzem, mas é isso o que ocorre quando o irmão mais velho, e o único membro restante da família de June, Metias, é misteriosamente morto. Os indícios apontam para Day e tudo o que June pensa é em vingar-se. Afinal, ela é a única que poderia encontrá-lo. É a única com habilidades possíveis para conseguir prender o prodígio criminoso da República.

Em outras palavras: a República não tem ideia da minha aparência. Parece que eles não sabem quase nada sobre mim, exceto que sou jovem e que, quando verificam as minhas impressões digitais, não encontram no seu banco de dados nenhuma que corresponda. É por isso que me odeiam, por que não sou o criminoso mais perigoso do país, e sim o mais procurado. Eu faço com que eles pareçam ineficientes, pois não conseguem me capturar.

Nesse futuro distópico a República guarda mais segredos do que se possa sequer tentar imaginar. Existem fatos ocultos por todos os lados e assim como os personagens da trama, você se surpreende a cada momento, a cada situação, a cada página virada. É quase impossível discutir sobre o livro sem soltar qualquer informação preciosa. Marie Lu é objetiva, direta, incisiva. Sem rodeios. Talvez essa seja o grande diferencial da distopia, a forma crua que a autora escreve e nos torna reféns de sua escrita, dos seus mistérios e desvendamentos contínuos, a forma como os personagens são construídos de uma perspectiva aberta, onde conhecemos as suas falhas e as suas qualidades, onde eles se tornam reais, apesar da improbabilidade de pensarmos que o futuro distópico possa ser de alguma forma, real. A linguagem é simples e proporcional ao fato de que é narrada em primeira pessoa pelos dois personagens principais, June e Day, que são muito jovens, apesar de serem maduros o suficiente para lidar com várias situações. Mas é só. O fato da leitura ser amena não exime os acontecimentos pesados e cruciais do livro. Marie chega a ser fria. Impassível. Descarta personagens com a mesma objetividade e clareza com que conduz a história, sem subterfúgios. Portanto, não se apegue muito aos personagens. Você não terá tempo para isso.

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Comecei e terminei a ler o livro em uma noite e não pensava que gostaria tanto dele exatamente por ser absolutamente muito e pouco detalhado ao mesmo tempo, não sei como isso pode acontecer, mas é isso que a autora faz, o torna explicativo o suficiente, claro, sem subjetividades. Uma leitura que não permite confusões, onde você não se perde – não há tempo – as ações correm e se somam, resultando em finais surpreendentes. É arrebatador, principalmente em sua última página, onde finalmente surgem questões não esclarecidas que provavelmente serão abordadas no segundo livro da saga distópica, Prodigy que acabou de ser lançado no Brasil. Outro fato interessante é que os direitos autorais de Legend já foram comprados pela CBS Films e em breve se tornará uma adaptação cinematográfica, o que eu particularmente acho maravilhoso, por ter a opinião de que esse é um livro muito visual, do ponto de vista de que se é fácil imaginar os cenários, os acontecimentos e os personagens. Se você gosta de distopias, de leituras concisas, fortes e irreverentes, dê uma chance para Legend em sua estante e logo vai estar com Prodigy nas mãos.

75921347372911GMarie Lu escreve romances jovens-adultos, e tem um amor especial por livros distópicos. Antes de se tornar uma escritora em tempo integral, era diretora de arte em uma empresa de jogos. É formada na Universidade do Sul da Califórnia, e atualmente vive em Los Angeles.
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