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Resenhas :: O Lado Bom da Vida

Acho que essa foi a leitura mais agradável do ano, particularmente. Acabei me apegando com facilidade à história, ansiando por mais da louca vida de Pat, Tiffany e todos os demais personagens, até que o livro infelizmente acabou, mas se tornou um dos meus preferidos. Quer entender um pouquinho mais dessa insana, porém fascinante história?

Título: O Lado Bom da Vida

Autor: Matthew Quick

Editora: Intrínseca

Páginas: 254

Onde costumo comprar (Opções de livro impresso): Submarino/Saraiva/Siciliano/Fnac

Sinopse: Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um “tempo separados”. Tentando recompor o quebra-cabeças de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com seu pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes da internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida. Uma história comovente e encantadora, de um homem que não desiste da felicidade, do amor e de ter esperança.
Nas primeiras páginas de O lado bom da vida, você de súbito percebe a relação que existe entre o personagem principal, Pat Peoples, e o título desse livro. Pat, em seus trinta e poucos anos, recém-saído de Baltimore, – um hospital psiquiátrico, ou “o lugar ruim”, como ele próprio costumava chamar – é um homem otimista. Ele acredita no lado bom das coisas e que sua vida é uma espécie de filme com um final feliz – finais felizes, vale ressaltar, a pequena obsessão de Pat e o que em grande parte o move a se tornar uma pessoa melhor ao longo da história. Ele também é um ex-professor de história e é viciado em exercícios físicos, com o objetivo de retomar a boa forma e surpreender Nikki quando acabar o tempo separados, e claro, não podemos deixar passar batido a sua paixão pelo Eagles (E!-A!-G!-L!-E!-S! Eagles!).

A maioria das pessoas perdeu a habilidade de ver o lado bom das coisas, embora a luz por trás das nuvens seja uma prova quase diária de que ele existe.

O livro se inicia com a saída de Pat do lugar ruim, quando sua mãe decide ir buscá-lo. Decidido a retomar sua antiga vida, reconquistar sua esposa, Nikki, e se tornar uma pessoa melhor, porém, Pat não faz a menor ideia dos acontecimentos que antecederam a sua ida à Baltimore. Ingênuo e determinado, regra a sua rotina em exercícios físicos para perder os 35 quilos extras que ganhou com o casamento, para recuperar a antiga forma e agradar a sua Nikki, assim como decide surpreendê-la lendo todos os livros da disciplina de literatura americana que ela leciona em uma espécie de maratona literária, começando por “O grande Gatsby” de Fitzgerald. Nessa lista também encontram-se: Adeus às armas, de Hemingway; A letra escarlate, de Hawthorne; A redoma de vidro, de Sylvia Plath; O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger e As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, mas a maioria deles o frustra por não terem o final desejado, o que gera uma série de cômicas opiniões contra o teor depressivo dos romances, que Pat afirma que não mostram o lado bom das coisas.

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Além das leituras e dos exercícios físicos, Pat prossegue com o seu tratamento psiquiátrico tendo como terapeuta o Dr. PatelCliff Patel –, um indiano que acaba se tornando um amigo e aliado de Pat em busca de sua recuperação. Pela primeira vez, Pat não precisa lidar com o pessimismo dos seus anteriores terapeutas e encontra em Cliff alguém que como ele, é uma pessoa positiva e não tenta fazê-lo mudar suas convicções, no máximo, o incentiva a conviver mais com Tiffany Webster, uma jovem viúva com seus próprios problemas psicológicos, ainda sofrendo a morte do marido, Tommy. Tiffany é a irmã de Veronica, que é a esposa do seu amigo Ronnie, e por meio dos dois que Pat e Tiffany propriamente se conhecem, mas ele a considera um tanto quanto louca e excêntrica mesmo tentando estabelecer uma relação normal de amizade.

Tiffany é uma personagem que com o passar das páginas, logo você a intitula de “caixinha de surpresas”. Em um misto de força e fragilidade, constantemente tem rompantes de sinceridade, não costuma se submeter ao que querem e é determinada e decisiva, ou talvez a melhor palavra seria autoritária. E se Pat pensava em estabelecer uma relação normal de amizade, não é isso o que ocorre, ambos engatam em uma amizade esquisita, onde Tiffany o persegue em seus exercícios físicos e não poupa palavras quando pensar algo sobre ele. Mas parece que todas relações do nosso protagonista são esquisitas, inclusive, com seu pai. Nesse meio tempo, ele retoma o bom convívio com o irmão Jake, que acaba se tornando outro personagem fundamental na vida de Pat.

O lado bom da vida é narrado em primeira pessoa, e eu senti uma grande similaridade como a forma em que se escreve em um diário. Pat não apenas narra os acontecimentos como acaba comentando e detalhando tudo sobre eles. O modo como reflete sobre as nuvens, como vê a sua vida inserida em um filme dirigido por Deus, a convivência com seus familiares, sua determinação em se tornar um ser humano melhor, seu amor por Nikki, seu otimismo e seus medos, sua raiva de Kenny G, e tantas outras coisas mais, fizeram com que eu acabasse me afeiçoando, particularmente, a esse personagem tão real e o seu modo de enxergar as coisas. Acabei refletindo, juntamente com ele, sobre tudo ao meu redor, inclusive as pequenas coisas que deixamos passar despercebidas na vida. Ao término da leitura me senti incitada a reabrir o livro e recomeçá-lo imediatamente, para sentir, novamente, todas as emoções a que somos expostos com os sentimentos de Pat. Agradável, encantador e apaixonante são alguns dos adjetivos que eu uso para descrever este romance que faz com que a leitura flua com impressionante facilidade quando nos deixamos entrar na vida de todos os singulares personagens que o compõem. Vale ressaltar que essa é uma daquelas obras onde a frase: “Livros que indicam outros livros” se aplica perfeitamente, como já citado anteriormente com os livros que Pat lê em sua maratona literária, o que até fez minha lista de leitura para o ano aumentar um pouquinho.

Pra quem leu até aqui e gostou do pouco (muito) que eu escrevi sobre o livro e ainda não tem ele na estante, corre para comprar e amar essa história tanto quanto eu, e também depois me contar o que achou, certo? Boa leitura! ;D

imagesMatthew Quick era professor na Filadélfia, mas decidiu largar tudo e, depois de conhecer a Amazônia peruana, viajar pela África Meridional, trilhar o caminho até o fundo nevado do Grand Canyon, reviu seus valores e, enfim, passou a dedicar todo seu tempo à escrita. Ele, então, fez MFA em Creative Writing pelo Goddard College e voltou para a Filadélfia, onde mora com a esposa. Quick é autor de três romances além de O Lado Bom da Vida, e recebeu várias críticas elogiosas e importantes menções honrosas, entre as quais destaca-se a do PEN/Hemingway Award.

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3 pensamentos sobre “Resenhas :: O Lado Bom da Vida

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  2. Se tem uma palavra que descreve totalmente esse livro é Insano! rsrs’
    Eu li O Lado Bom da Vida esperando uma história completamente diferente da que eu encontrei e, devo dizer que fico muito feliz por ele não ter sido aquilo que eu esperava.
    Diferente, espirituoso, inovador, provocante… A verdade é que esse livro também me fez rever algumas coisas e como o próprio título do livro, o lado bom da vida, que é facilmente esquecido em meio a tantos problemas.
    Uma coisa que me chamou atenção foi a crença cega em finais felizes do Pat. No começo eu pensei que ele tinha algum tipo de atraso mental, mas depois percebi que o Pat só estava fazendo algo que deveria ser rotina. Claro que ignorar os fatos não é a resposta, mas ser otimista de vez em quanto não faz mal. Pelo menos eu acho que não! kkkkk’

    • Olá, Denise! Como você, assim que comprei esse livro eu esperava por algo completamente diferente com o que me deparei. Antes eu já havia assistido ao filme – e o adorado, por sinal – então, foi uma grata surpresa perceber que a adaptação apesar de boa e de ter me agradado, havia mudado alguns pontos que podemos perceber com mais detalhe no livro. Por exemplo isso que você citou! Essa obsessão por finais felizes do Pat, o que o frustra continuamente por perceber que as pessoas não conseguem pensar como ele, me deixou encantada. Realmente, ignorar todos os fatos e problemas presentes em nossa vida, não é a resposta, mas talvez a chave para uma melhora pela qual tanto pedimos ou ansiamos está precisamente aí, nesse um pouco de indiferença, de otimismo, de pensar nas nossas conclusões pessoais com bons finais, antes de nos prendermos ao que vai acontecer de errado e nos deixarmos levar por uma situação ruim. O fato do Pat possuir um positivismo tão genuíno, tão inocente, apesar das instabilidades emocionais continuar pensando no “tudo vai dar certo”, me prendeu a esse personagem tão singular, de uma maneira boa. Quando comecei a lê-lo, eu nunca esperava me apegar de uma forma tão “emocional” à esse livro, mas é assim que me sinto hoje. Acho que é um dos livros com personagens mais reais – e facilmente imagináveis vivenciando as mesmas coisas que nós mesmos – que já li. Fico feliz que tenha gostado dele, pois adoro quando o leem e percebem exatamente esse ponto reflexivo o qual Matthew nos propõe, o lado bom das coisas. E já me estendi bastante, mas falo demais, como deixei transparecer na resenha!
      Beijos, e como boa anfitriã, convido-a para que volte sempre aqui. :*

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